Trauma Facial Grave: Prioridades no Manejo da Via Aérea

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 45 anos chega ao pronto-socorro após sofrer um acidente automobilístico. Ele apresenta ferimentos na face, sangramento nasal ativo e dificuldade respiratória. Ao exame físico, você observa equimose periorbital bilateral, deformidade nasal, crepitação ao toque da face e pouca mobilidade mandibular. Qual é a intervenção mais apropriada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Administrar oxigênio suplementar e manter a via aérea pérvia.
  2. B) Realizar traqueostomia de emergência para assegurar a via aérea.
  3. C) Estabilizar a coluna cervical e intubar o paciente para proteger a via aérea.
  4. D) Realizar uma tomografia computadorizada de face e mandíbula para avaliar melhor a extensão dos ferimentos.

Pérola Clínica

Trauma facial grave + dificuldade respiratória → Estabilizar cervical + Intubar para proteger via aérea.

Resumo-Chave

Em trauma facial grave com comprometimento da via aérea e suspeita de lesão cervical (comum em acidentes automobilísticos), a prioridade é a proteção da via aérea com intubação, precedida pela estabilização da coluna cervical para evitar lesões medulares.

Contexto Educacional

Em pacientes vítimas de trauma, especialmente em acidentes automobilísticos com trauma facial grave, a avaliação e o manejo da via aérea são a prioridade absoluta, seguindo os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS). Sinais como dificuldade respiratória, sangramento nasal ativo, equimose periorbital bilateral (sinal de Guaxinim), deformidade nasal e crepitação facial indicam fraturas faciais extensas que podem comprometer a via aérea por edema, sangramento ou deslocamento de estruturas. A suspeita de trauma facial grave sempre deve levantar a preocupação com lesão da coluna cervical, dada a proximidade anatômica e o mecanismo de trauma. Portanto, a estabilização da coluna cervical com colar cervical rígido e imobilização manual é mandatório antes de qualquer manipulação da via aérea. A intubação orotraqueal é a intervenção mais apropriada para proteger a via aérea, especialmente em pacientes com comprometimento respiratório iminente ou Glasgow < 8. A decisão de intubar deve ser rápida, e a técnica deve ser escolhida com cautela para minimizar a movimentação cervical. Após a estabilização da via aérea e cervical, outras etapas da avaliação primária (respiração, circulação, disfunção neurológica, exposição) e secundária podem ser realizadas, incluindo exames de imagem como a tomografia computadorizada de face e mandíbula.

Perguntas Frequentes

Por que a via aérea é a prioridade máxima em pacientes com trauma facial grave?

O trauma facial pode causar obstrução da via aérea por sangramento, edema, aspiração de dentes ou fragmentos ósseos, ou deslocamento da língua/mandíbula, levando rapidamente à hipóxia e óbito.

Qual a importância da estabilização da coluna cervical antes da intubação em trauma?

A estabilização da coluna cervical é crucial para prevenir ou minimizar lesões medulares em pacientes com suspeita de trauma cervical, que é comum em acidentes de alta energia, especialmente antes de qualquer manipulação da via aérea.

Quais são os sinais de alerta de comprometimento da via aérea em trauma facial?

Sinais incluem estridor, rouquidão, dificuldade respiratória, sangramento oral/nasal ativo, edema facial progressivo, enfisema subcutâneo e Glasgow < 8.

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