MedEvo Simulado — Prova 2026
Otávio, 34 anos, é levado ao serviço de emergência após sofrer um trauma contuso de alta energia na região cervical anterior durante um acidente de motocicleta. Ao chegar, o paciente apresenta-se ansioso, com estridor inspiratório evidente, rouquidão e esforço respiratório moderado. Ao exame físico, observa-se enfisema subcutâneo palpável em região cervical e uma deformidade com perda da proeminência da cartilagem tireoide. A saturação de oxigênio é de 89% em máscara de reservatório. Após uma tentativa frustrada de visualização das cordas vocais por laringoscopia direta devido ao edema e distorção anatômica, qual é a conduta imediata mais adequada para o manejo da via aérea deste paciente?
Trauma laríngeo + Distorção anatômica + Falha na IOT → Traqueostomia (Crico é contraindicada).
No trauma de laringe com instabilidade respiratória e falha na intubação, a traqueostomia é a via aérea cirúrgica de escolha, pois a cricotireoidostomia pode agravar a lesão estrutural.
O trauma laríngeo é uma emergência rara, mas potencialmente fatal. A classificação de Schaefer ajuda a graduar a gravidade, variando de pequenos hematomas a transecção completa. Em situações de emergência com estridor e hipóxia, a manutenção da via aérea é prioridade absoluta. A traqueostomia deve ser realizada, se possível, abaixo do nível da lesão para garantir a ventilação e evitar a manipulação da estrutura laríngea fraturada durante a fase aguda.
Os sinais clássicos incluem a tríade de rouquidão, enfisema subcutâneo cervical e dor/deformidade à palpação da cartilagem tireoide. Estridor inspiratório e hemoptise também são frequentes e indicam obstrução iminente da via aérea.
A cricotireoidostomia é contraindicada ou evitada porque a própria membrana cricotireóidea pode estar envolvida na fratura ou desinserida. Realizar o procedimento em uma laringe instável pode converter uma obstrução parcial em total ou causar estenose subglótica permanente.
A primeira tentativa deve ser a intubação orotraqueal (preferencialmente com auxílio de broncoscopia, se disponível e o paciente estiver estável). Se houver falha ou distorção anatômica grave que impeça a visualização, deve-se progredir imediatamente para a via aérea cirúrgica definitiva, que no caso do trauma laríngeo é a traqueostomia.
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