Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Maria, 2 anos de vida, foi levada ao pronto-socorro de pediatria com queixas respiratórias. O pediatra de plantão julgou necessária a realização de uma radiografia de tórax, que não mostrou alterações pulmonares, mas evidenciou uma fratura de costela, com calo ósseo, sem sinais de osteopenia, na imagem. A principal hipótese diagnóstica é:
Fratura de costela com calo ósseo em criança < 2 anos sem osteopenia → alta suspeita de trauma intencional.
A presença de fraturas em diferentes estágios de consolidação (evidenciada pelo calo ósseo) ou fraturas atípicas (como de costelas, especialmente em crianças pequenas sem doença óssea prévia) deve sempre levantar a suspeita de abuso infantil. O calo ósseo indica que a fratura não é recente, mas a ausência de osteopenia afasta fragilidade óssea.
O trauma intencional, ou abuso infantil, é uma causa significativa de morbimortalidade em pediatria e um desafio diagnóstico complexo. A identificação precoce é crucial para a proteção da criança e prevenção de futuras lesões. É fundamental que médicos estejam aptos a reconhecer padrões de lesões que sugiram abuso, diferenciando-os de traumas acidentais ou condições médicas que mimetizam lesões. A suspeita de abuso infantil deve ser levantada em casos de fraturas atípicas para a idade e mecanismo de trauma, como fraturas de costelas (especialmente posteriores), fraturas metafisárias (lesões de canto), fraturas de esterno, escápula ou vértebras, e fraturas em diferentes estágios de consolidação (evidenciadas por calo ósseo). A ausência de osteopenia ou outras doenças ósseas que justifiquem a fragilidade óssea reforça a suspeita de trauma intencional. A conduta diante da suspeita de abuso infantil envolve a proteção da criança, notificação às autoridades competentes e uma investigação multidisciplinar. O manejo inclui a documentação detalhada das lesões, exames de imagem complementares (como o "bone survey") e, em alguns casos, avaliação por especialistas em proteção à criança. O prognóstico depende da gravidade das lesões e da intervenção precoce para garantir a segurança e o bem-estar da criança.
Sinais radiológicos de abuso infantil incluem fraturas de costela (especialmente posteriores), fraturas de epífise/metáfise (lesões de canto), fraturas em diferentes estágios de consolidação (calo ósseo), fraturas de esterno, escápula ou vértebras, e fraturas complexas de crânio.
Deve-se suspeitar de trauma intencional quando a história do trauma é inconsistente com a lesão, quando há atraso na busca por atendimento, quando há lesões em locais atípicos (costelas, esterno, orelhas, pescoço), ou quando há múltiplas lesões em diferentes estágios de cura.
O calo ósseo indica que a fratura não é aguda, mas sim uma lesão mais antiga em processo de cicatrização. Em casos de suspeita de abuso, a presença de calo ósseo em fraturas atípicas sugere que a criança pode ter sido vítima de violência em mais de uma ocasião.
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