Trauma Hepático Grau 5: Manejo da Instabilidade Hemodinâmica

HCE - Hospital Central do Exército (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente vítima de trauma abdominal fechado, apresentando instabilidade hemodinâmica e sinais de abdome agudo. Após ser levado ao centro cirúrgico, foi constatado trauma hepático grau 5 e o paciente evoluiu com piora da instabilidade hemodinâmica, mesmo após reposição volêmica e administração de concentrado de hemácias. Qual seria a melhor conduta para esse paciente? 

Alternativas

  1. A) Empacotamento hepático por compressas; 
  2. B) Hepatectomia segmentar;
  3. C) Rafia das lesões hepáticas;
  4. D) Embolização arterial;
  5. E) Tratamento conservador. 

Pérola Clínica

Trauma hepático grave (grau 5) com instabilidade hemodinâmica refratária → Empacotamento hepático.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma hepático grave (grau 5) e instabilidade hemodinâmica persistente, mesmo após reposição volêmica e transfusão, a melhor conduta é o empacotamento hepático com compressas. Esta é uma medida de controle de danos para obter hemostasia temporária e estabilizar o paciente antes de uma cirurgia definitiva.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade, e as lesões hepáticas são as mais comuns entre os órgãos sólidos. A classificação do trauma hepático varia de grau I a VI, sendo o grau V uma lesão grave que envolve lacerações profundas, lesões vasculares maiores ou destruição parenquimatosa extensa. A instabilidade hemodinâmica é um sinal de alarme que indica hemorragia ativa e a necessidade de intervenção imediata. Em pacientes com trauma hepático grau V e instabilidade hemodinâmica persistente, mesmo após medidas iniciais de ressuscitação volêmica com cristaloides e hemoderivados, a prioridade é o controle da hemorragia. A tentativa de reparo definitivo em um paciente instável pode prolongar o tempo cirúrgico, aumentar a perda sanguínea e agravar a tríade letal (hipotermia, acidose e coagulopatia), piorando o prognóstico. A melhor conduta nesses casos é a cirurgia de controle de danos, cujo pilar para o trauma hepático é o empacotamento hepático com compressas. Essa técnica visa obter hemostasia temporária por compressão direta, permitindo a estabilização do paciente na UTI para correção da coagulopatia, hipotermia e acidose. Após a estabilização, o paciente é levado novamente ao centro cirúrgico para a remoção das compressas e o tratamento definitivo das lesões. Outras opções como hepatectomia segmentar ou rafia são para pacientes estáveis ou lesões menos complexas, enquanto a embolização arterial pode ser considerada em casos selecionados de sangramento arterial em pacientes estáveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente com trauma abdominal?

Sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão (PA sistólica < 90 mmHg), taquicardia (> 120 bpm), extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado (> 2 segundos), alteração do nível de consciência e oligúria.

O que é o empacotamento hepático e quando ele é indicado?

O empacotamento hepático é uma técnica de controle de danos que consiste em colocar compressas cirúrgicas ao redor do fígado para aplicar pressão direta sobre as lesões e controlar o sangramento. É indicado em traumas hepáticos graves com hemorragia incontrolável e instabilidade hemodinâmica, quando a reparação definitiva não é possível ou segura inicialmente.

Qual o objetivo da cirurgia de controle de danos no trauma hepático grave?

O objetivo da cirurgia de controle de danos é interromper a hemorragia e a contaminação, restaurar a fisiologia do paciente e evitar a tríade letal (acidose, hipotermia e coagulopatia). O empacotamento hepático é uma etapa crucial para estabilizar o paciente antes de uma cirurgia definitiva em um segundo momento.

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