UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Um paciente de 28 anos, vítima de colisão automobilística, é admitido no pronto socorro apresentando dor abdominal e sinais de trauma contuso no quadrante superior direito. Na avaliação inicial, está hemodinamicamente estável com pressão arterial de 120/80 mmHg e frequência cardíaca de 92 bpm. A tomografia computadorizada revela uma lesão hepática grau IV com hemoperitônio extenso e extravasamento de contraste. Diante deste quadro, qual é a conduta inicial mais apropriada?
Trauma hepático + Estabilidade + Blush arterial na TC → Angioembolização.
Pacientes estáveis com lesões de alto grau e extravasamento de contraste (blush) devem ser submetidos à embolização para evitar falha do tratamento conservador.
A mudança de paradigma no trauma abdominal contuso prioriza o Manejo Não Operatório (MNO) para órgãos sólidos como fígado e baço. A classificação da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) ajuda a graduar a lesão, mas a clínica do paciente é o fator determinante da conduta. Lesões Grau IV envolvem disrupção parenquimatosa importante. A presença de hemoperitônio extenso não é mais contraindicação isolada para o MNO. A radiologia intervencionista revolucionou o cuidado, permitindo o controle de sangramentos arteriais específicos através de microcateteres e agentes embólicos, preservando o parênquima hepático e reduzindo complicações pós-operatórias graves.
O sucesso do MNO depende primordialmente da estabilidade hemodinâmica do paciente e da ausência de sinais de peritonite. Lesões de alto grau (IV e V) podem ser manejadas sem cirurgia em centros com suporte de UTI e radiologia intervencionista disponível 24h, desde que o paciente responda à reposição volêmica inicial.
O 'blush' arterial indica extravasamento ativo de contraste, sugerindo uma lesão arterial que pode não cessar espontaneamente. No paciente estável, isso é uma indicação formal de angiografia seguida de embolização seletiva, o que aumenta significativamente as taxas de sucesso do tratamento conservador e evita laparotomias desnecessárias.
A cirurgia (laparotomia exploradora) é indicada imediatamente se houver instabilidade hemodinâmica refratária à ressuscitação volêmica inicial, sinais óbvios de irritação peritoneal (sugerindo lesão de víscera oca associada) ou se houver falha documentada do manejo conservador/intervencionista.
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