Trauma Hepático Grau V: Manejo da Instabilidade Hemodinâmica

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 38 anos foi vítima de colisão automobilística há 90 minutos. Foi conduzido pelo SAMU imobilizado, com colar cervical e prancha rígida. Durante avaliação inicial, apresentava-se consciente e orientado com queixa de dor abdominal. Ao exame físico observou-se estabilidade hemodinâmica e presença de hematoma em hipocôndrio direito. Após atendimento inicial foi submetido ao exame de tomografia computadorizada, o qual demonstrou dilaceração de aproximadamente 80% do parênquima hepático associada a sinais de lesões em veia cava retro-hepática. Ao retornar para sala de atendimento ao paciente politraumatizado, o paciente apresentou piora do quadro de dor abdominal, frequência cardíaca de 140 batimentos por minuto e pressão arterial de 70x50 mmhg. Dentre as alternativas, qual descreve o grau dessa lesão do fígado, de acordo com a Escala para lesões de Órgãos da Associação Americana de Cirurgia do Trauma e um possível tratamento médico a ser utilizado neste momento?

Alternativas

  1. A) Grau da lesão V com indicação de tratamento operatório.
  2. B) Grau da lesão III com indicação de tratamento não operatório em enfermaria.
  3. C) Grau da lesão IV com indicação de tratamento não operatório em Unidade de Terapia Intensiva.
  4. D) Grau da lesão VI com indicação de tratamento operatório.

Pérola Clínica

Trauma hepático Grau V (AAST) com instabilidade hemodinâmica → laparotomia exploradora urgente.

Resumo-Chave

A lesão hepática descrita (dilaceração >75% do parênquima e lesão de veia cava retro-hepática) corresponde a um Grau V na escala AAST. A instabilidade hemodinâmica progressiva (taquicardia, hipotensão) em um paciente com trauma abdominal e lesão hepática de alto grau é uma indicação absoluta para tratamento operatório de emergência, visando controle da hemorragia.

Contexto Educacional

O trauma hepático é uma das lesões mais comuns em traumas abdominais, e sua gravidade é classificada pela Escala de Lesões de Órgãos da Associação Americana de Cirurgia do Trauma (AAST). A lesão descrita no enunciado, com dilaceração de aproximadamente 80% do parênquima hepático e lesões na veia cava retro-hepática, se enquadra no Grau V da escala AAST, que representa lesões parenquimatosas extensas ou lesões venosas justas-hepáticas, de altíssima gravidade. A conduta inicial em pacientes politraumatizados segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização hemodinâmica. No caso apresentado, o paciente inicialmente estável evolui com piora do quadro, apresentando taquicardia (FC 140 bpm) e hipotensão (PA 70x50 mmHg), caracterizando um choque hipovolêmico grave devido à hemorragia ativa. Diante de uma lesão hepática de alto grau (Grau V) e instabilidade hemodinâmica persistente, a indicação é de tratamento operatório imediato (laparotomia exploradora). O objetivo principal é o controle da hemorragia, que pode ser realizado por diversas técnicas como empacotamento hepático, sutura de vasos, ou ressecção de tecido desvitalizado. O tratamento não operatório, embora preferível em lesões de baixo grau e pacientes estáveis, é contraindicado na presença de instabilidade hemodinâmica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para lesão hepática Grau V na escala AAST?

Lesão hepática Grau V inclui dilaceração parenquimatosa >75% de um lobo ou 3 segmentos, ou lesão venosa justa-hepática (veia cava retro-hepática ou veias hepáticas principais).

Quando o tratamento operatório é indicado em trauma hepático?

O tratamento operatório é indicado principalmente em casos de instabilidade hemodinâmica persistente, peritonite, evisceração ou lesões associadas que exijam intervenção cirúrgica.

Qual a importância da veia cava retro-hepática em lesões hepáticas?

Lesões da veia cava retro-hepática são extremamente graves devido ao alto risco de hemorragia maciça e difícil controle, frequentemente associadas a lesões hepáticas de alto grau e alta mortalidade.

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