Trauma Hepático: Classificação e Manejo em Pacientes Estáveis

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022

Enunciado

Uma paciente com 35 anos de idade, vítima de acidente automobilístico, queixa-se de dor abdominal. Durante a admissão no setor de emergência, apresenta-se lúcida, cooperativa (Glasgow 15), pressão arterial: 100 x 60 mmHg, frequência cardíaca: 88 batimentos por minuto, frequência respiratória: 20 incursões respiratórias por minuto. Foi indicada tomografia de abdome, que evidenciou moderada quantidade de líquido livre na cavidade abdominal, hematoma subcapsular no lobo direito do fígado, ocupando cerca de 40% da superfície do órgão e laceração de cerca de 5 cm em lobo esquerdo. Nesse caso, qual deve ser a conduta para a paciente?

Alternativas

  1. A) Laparotomia com rafia da laceração hepática e drenagem do hematoma subcapsular.
  2. B) Laparotomia, hemostasia com compressas no fígado e reabordagem cirúrgica após 48 horas.
  3. C) Internação em Unidade de Terapia Intensiva com monitorização hemodinâmica e hematócrito seriado.
  4. D) Internação em Unidade de Terapia Intensiva com monitorização hemodinâmica, hematócrito seriado e tomografia de abdome a cada 48 horas.

Pérola Clínica

Trauma hepático grau III/IV em paciente estável (PA 100x60, FC 88) → manejo conservador em UTI com monitorização.

Resumo-Chave

A conduta no trauma hepático depende primariamente da estabilidade hemodinâmica do paciente, e não apenas do grau da lesão. Pacientes hemodinamicamente estáveis, mesmo com lesões hepáticas de grau moderado a alto (como Grau III/IV), podem ser manejados de forma conservadora em UTI com monitorização intensiva e exames seriados.

Contexto Educacional

O trauma hepático é uma das lesões mais comuns em traumas abdominais fechados, frequentemente associado a acidentes automobilísticos. A avaliação inicial deve sempre priorizar a estabilidade hemodinâmica do paciente, que é o fator determinante para a escolha da conduta. A classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST) para lesões hepáticas varia de Grau I (contusão ou hematoma subcapsular <10% da superfície) a Grau VI (avulsão hepática). A paciente apresenta um hematoma subcapsular ocupando 40% da superfície e laceração de 5 cm, o que a classificaria entre Grau III e IV. Para pacientes hemodinamicamente estáveis, mesmo com lesões hepáticas de graus mais elevados (III e IV), o manejo conservador não operatório é a conduta de escolha na maioria dos casos. Este manejo envolve internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para monitorização hemodinâmica rigorosa, controle da dor, transfusões se necessário e acompanhamento seriado do hematócrito e, eventualmente, de exames de imagem para avaliar a evolução do sangramento e das lesões. A laparotomia é reservada para pacientes instáveis ou com falha do tratamento conservador.

Perguntas Frequentes

Como é classificado o trauma hepático segundo a AAST?

O trauma hepático é classificado de Grau I a VI. Lacerações de 5 cm e hematomas subcapsulares >10% da superfície são Grau III, enquanto lacerações >10 cm ou hematomas >50% são Grau IV.

Qual o principal fator para decidir a conduta no trauma hepático?

O principal fator é a estabilidade hemodinâmica do paciente. Pacientes estáveis, mesmo com lesões de alto grau, podem ser candidatos ao manejo conservador.

O que envolve o manejo conservador do trauma hepático?

Inclui internação em UTI, monitorização hemodinâmica contínua, controle da dor, transfusão sanguínea se necessário, e exames seriados (hematócrito, exames de imagem) para detectar sangramento ativo ou complicações.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo