USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Homem, 25 anos, vítima de queda de moto, trazido pelo SAMU, é admitido na sala de trauma de um hospital referência, confuso e com dor abdominal. Exame físico: saturação de O2 = 94%. FC = 130 bpm, PA = 90 x 60 mmHg, Escala de Coma de Glasgow = 14. Após reanimação volêmica com 1L de solução cristaloide e infusão de dois concentrados de hemácias e um PFC, passou a apresentar FC = 105 bpm e PA = 100 x 70 mmHg. Realizou tomografia computadorizada de corpo inteiro, que evidenciou lesão hepática grau V com blush e volumoso hemoperitôneo. Qual a conduta mais adequada?
Trauma hepático grau V com blush e hemoperitôneo, paciente estabilizado após reanimação → Angioembolização.
Em trauma hepático de alto grau (IV-V) com sangramento ativo (blush na TC) e instabilidade hemodinâmica inicial que responde à reanimação, a angioembolização é a conduta mais adequada para controlar o sangramento e evitar cirurgia em pacientes selecionados, minimizando morbidade.
O trauma hepático é uma lesão comum em traumas abdominais fechados, e sua gravidade é classificada de I a VI. Lesões de alto grau (IV e V) envolvem lacerações extensas, lesões vasculares significativas e podem cursar com sangramento maciço e instabilidade hemodinâmica. A presença de "blush" na tomografia computadorizada com contraste indica sangramento arterial ativo, um achado crítico que guia a conduta. A abordagem inicial de um paciente com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica é a reanimação volêmica. No caso apresentado, o paciente, após reanimação com cristaloides e hemoderivados, apresentou melhora da FC e PA, indicando uma resposta positiva à ressuscitação. Este cenário, combinado com a evidência de sangramento ativo (blush) em uma lesão hepática grau V e volumoso hemoperitôneo, torna a angioembolização a conduta mais adequada. A angioembolização é um procedimento minimamente invasivo que permite o controle do sangramento arterial ativo, preservando o parênquima hepático e evitando uma laparotomia exploradora, que em lesões hepáticas complexas pode ser associada a alta morbidade e mortalidade. O tratamento não operatório, incluindo a angioembolização, é a abordagem preferencial para pacientes com trauma hepático grave que estão hemodinamicamente estáveis ou que se estabilizam após a reanimação, desde que não haja outras indicações cirúrgicas, como peritonite por víscera oca.
A angioembolização é indicada para pacientes com trauma hepático que apresentam sangramento ativo (blush na tomografia) e que estão hemodinamicamente estáveis ou que respondem à reanimação volêmica, especialmente em lesões de alto grau (IV ou V).
A angioembolização é um procedimento minimamente invasivo que permite o controle do sangramento sem a necessidade de uma laparotomia, reduzindo a morbidade associada à cirurgia, como infecções, tempo de internação e complicações pós-operatórias.
O tratamento não operatório é geralmente indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite difusa ou outras lesões que exijam cirurgia. A presença de sangramento ativo pode ser manejada com angioembolização, desde que o paciente permaneça estável.
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