Trauma Hepático: Classificação AAST e Conduta Cirúrgica

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 36 anos chega ao pronto-socorro após atropelamento. Ele se queixa de dor abdominal intensa no lado direito do abdômen. Quando do exame físico, está hipotenso e taquicárdico, com dor à palpação no quadrante superior direito do abdômen. Os exames laboratoriais revelam queda da hemoglobina e elevação das enzimas hepáticas. Uma tomografia computadorizada mostra uma lesão no lobo hepático direito com hematoma subcapsular com 30% da superfície e uma laceração estimada em 4 cm de profundidade com 8 cm de comprimento. MV A classificação mais provável dessa lesão hepática e a conduta inicial correta de tratamento são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Classificação I e tratamento conservador com monitoramento clínico e radiológico.
  2. B) Classificação II e intervenção cirúrgica para controle do sangramento com reparo hepático.
  3. C) Classificação III e esplenectomia para controle do sangramento com reparo hepático.
  4. D) Classificação IV e tratamento com terapia endovascular para embolização da lesão hepática.
  5. E) Classificação V e tratamento com transfusão sanguínea e monitoramento clínico.

Pérola Clínica

Instabilidade hemodinâmica no trauma abdominal + evidência de sangramento → Laparotomia imediata.

Resumo-Chave

A conduta no trauma hepático é guiada pela estabilidade hemodinâmica; pacientes hipotensos e taquicárdicos com lesões significativas requerem intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

O manejo do trauma hepático evoluiu significativamente nas últimas décadas, com uma tendência crescente ao tratamento não operatório (TNO) em pacientes estáveis. A escala AAST (American Association for the Surgery of Trauma) categoriza as lesões de I a VI, sendo I a mais leve e VI a avulsão hepática total. Este caso destaca que a clínica soberana: um paciente com hematoma subcapsular de 30% e laceração profunda, apresentando hipotensão e taquicardia, está em choque hemorrágico. A conduta deve ser a intervenção cirúrgica para controle do sangramento (manobra de Pringle, tamponamento com compressas ou reparo direto), independentemente da classificação exata, embora o gabarito aponte Grau II pela descrição volumétrica.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para a Classificação II da AAST no trauma hepático?

A classificação de Grau II da American Association for the Surgery of Trauma (AAST) para o fígado inclui: hematoma subcapsular que envolve entre 10% e 50% da área de superfície, ou hematoma intraparenquimatoso com menos de 10 cm de diâmetro. Em termos de laceração, o Grau II envolve feridas com profundidade entre 1 cm e 3 cm e comprimento inferior a 10 cm. No caso clínico, embora a profundidade de 4 cm sugerisse Grau III, a conduta cirúrgica é imperativa pela instabilidade.

Quando indicar tratamento cirúrgico no trauma hepático?

A principal indicação para laparotomia exploradora no trauma hepático não é o grau da lesão na TC, mas sim a instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, má perfusão) que não responde à reposição volêmica inicial. Outras indicações incluem sinais de peritonite, lesões penetrantes com evisceração ou evidência de lesão de outros órgãos ocos associados. Em pacientes estáveis, o tratamento não operatório (TNO) é a escolha, mesmo em graus elevados.

Qual o papel da angioembolização no trauma de fígado?

A terapia endovascular com embolização é uma ferramenta valiosa no manejo do trauma hepático, especialmente em pacientes estáveis que apresentam 'blush' arterial (extravasamento de contraste) na tomografia computadorizada. Ela permite o controle de sangramentos arteriais específicos sem a necessidade de laparotomia, preservando o parênquima. Contudo, em pacientes francamente instáveis, a cirurgia continua sendo a prioridade para controle de danos.

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