Trauma Hepático: Classificação AAST e Manejo Conservador

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 23 anos, vítima de acidente automobilístico (colisão carro x carro), foi atendida no pronto-socorro de acordo com o Protocolo ATLS. Após estabilização hemodinâmica, foram realizados exames de imagem. TC de abdome: líquido livre peri-hepático e na goteira parietocólica direita, laceração hepática de 2 cm de profundidade e 8 cm de comprimento no seguimento VI, sem evidência de extravazamento de contraste. A classificação do trauma hepático e a conduta são:

Alternativas

  1. A) Grau II; laparotomia de emergência.
  2. B) Grau II; tratamento conservador.
  3. C) Grau III; laparotomia de emergência.
  4. D) Grau III; tratamento conservador.

Pérola Clínica

Trauma hepático estável + laceração < 3cm (Grau II) + sem blush → Tratamento conservador.

Resumo-Chave

O manejo do trauma hepático evoluiu para o tratamento não operatório (TNO) na maioria dos pacientes estáveis, independentemente do grau da lesão, desde que não haja sinais de peritonite.

Contexto Educacional

O fígado é um dos órgãos mais comumente lesionados no trauma abdominal fechado. A tomografia computadorizada com contraste é o padrão-ouro para estadiamento em pacientes estáveis. Atualmente, cerca de 80% dos traumas hepáticos são manejados de forma conservadora, o que reduz a necessidade de laparotomias desnecessárias, diminui a morbidade infecciosa e o tempo de internação, desde que respeitados os critérios de estabilidade.

Perguntas Frequentes

Como classificar a lesão hepática descrita (2cm prof, 8cm comp)?

De acordo com a escala da AAST (American Association for the Surgery of Trauma), uma laceração hepática com profundidade entre 1 e 3 cm e comprimento menor que 10 cm é classificada como Grau II. Lesões Grau III envolveriam lacerações com mais de 3 cm de profundidade ou hematomas subcapsulares ocupando mais de 50% da área de superfície. No caso clínico, a profundidade de 2 cm define o Grau II.

Quais os critérios para o tratamento conservador no trauma hepático?

Os critérios fundamentais para o manejo não operatório (MNO) incluem: estabilidade hemodinâmica (ou estabilização rápida após manobras iniciais), ausência de sinais de irritação peritoneal (que sugeririam lesão de víscera oca) e disponibilidade de monitorização intensiva e equipe cirúrgica para intervenção imediata se necessário. A ausência de extravasamento ativo de contraste (blush) na TC reforça a segurança do MNO.

Quando o tratamento conservador deve ser interrompido?

O tratamento conservador deve ser abandonado em favor da laparotomia se houver deterioração hemodinâmica não responsiva à reposição volêmica, surgimento de sinais de peritonite, queda progressiva e inexplicável do hematócrito ou falha de procedimentos intervencionistas (como angioembolização em caso de sangramento arterial persistente). A vigilância clínica rigorosa é o pilar do sucesso do MNO.

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