HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Um paciente de 63 anos de idade, vítima de atropelamento há cerca de 40 minutos, chegou à sala de emergência queixando-se de dor em hemitórax direito e abdome. Ao exame, encontrava-se com Glasgow 15, pulso de 92 bpm, PA = 140 mmHg X 90 mmHg e presença de escoriação em região toracoabdominal à direita. Apresentava murmúrio vesicular presente bilateralmente e abdome plano, flácido, pouco doloroso em hipocôndrio direito. Realizou tomografia computadorizada de abdome, que mostrou moderada quantidade de líquido na cavidade, com uma lesão hepática grau III em segmentos V e VI, com presença de blush, sem outras lesões avaliadas. A respeito desse caso clínico, julgue o item.A arteriografia com angioembolização é uma maneira muito efetiva para tratar esse paciente.
Estabilidade hemodinâmica + 'Blush' arterial na TC → Angioembolização (Tratamento Não Operatório).
No trauma hepático, a presença de extravasamento de contraste (blush) em paciente hemodinamicamente estável indica sangramento ativo que pode ser controlado via endovascular, evitando laparotomia.
O manejo do trauma hepático evoluiu significativamente nas últimas décadas, migrando da exploração cirúrgica sistemática para o Tratamento Não Operatório (TNO). Atualmente, cerca de 80% das lesões hepáticas fechadas podem ser tratadas de forma conservadora. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para graduar a lesão e identificar o 'blush' arterial. A angioembolização atua como um braço terapêutico do TNO. Quando a TC identifica extravasamento de contraste, a arteriografia identifica o vaso específico e utiliza agentes embólicos (como molas ou colas) para cessar a hemorragia. Esta abordagem é altamente eficaz para lesões grau III a V, desde que a estabilidade hemodinâmica seja mantida.
O pilar fundamental para o sucesso do TNO é a estabilidade hemodinâmica do paciente. Mesmo lesões de alto grau (IV ou V) podem ser manejadas sem cirurgia se o paciente responder bem à reposição volêmica inicial e não apresentar sinais de peritonite ou outras indicações cirúrgicas imediatas.
O 'blush' arterial é o extravasamento ativo de contraste iodado durante a fase arterial da tomografia computadorizada. Ele indica um sangramento arterial ativo no parênquima hepático ou na cavidade peritoneal. Em pacientes estáveis, esse achado é uma indicação clássica para arteriografia diagnóstica e terapêutica (embolização).
A angioembolização permite o controle seletivo do vaso sangrante, preservando a maior parte do parênquima hepático viável. Ela reduz a morbidade associada a grandes laparotomias, diminui o risco de infecções e reduz o tempo de recuperação, sendo o padrão-ouro para sangramentos arteriais em pacientes estáveis.
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