Trauma Grave: Manejo do Choque Hemorrágico e PTM

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um jovem, vítima de acidente de moto é levado a emergência de um Hospital Terciário Nível I de Trauma, após intubação orotraqueal e reposição volêmica com dois litros de Ringer Lactato. Encontra se hemodinamicamente instável, com fratura aberta de quadril e FAST (ultrassom abdominal no trauma) positivo. O médico assistente, rapidamente calcula um ABCscore de dois pontos e Shock Index de 1,2. Neste momento, a melhor conduta na emergência é:

Alternativas

  1. A) Iniciar a infusão de 1,0 grama de Ácido Tranexâmico; ativar Protocolo de Transfusão Maciça; instalar cinta pélvica;
  2. B) Iniciar a infusão de um litro de Ringer Lactato; sondagem vesical de demora; instalar a cinta pélvica;
  3. C) Iniciar infusão de um litro de Ringer Lactato; encaminhar a Tomografia de Corpo Inteiro; iniciar droga vasoativa;
  4. D) Iniciar droga vasoativa; infundir 1,0 grama de Ácido Tranexâmico; encaminhar a tomografia de corpo inteiro.

Pérola Clínica

Trauma grave com instabilidade hemodinâmica, FAST+, ABCscore ≥ 2, Shock Index ≥ 1.0 → ativar PTM, ATX, controle de sangramento (cinta pélvica).

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais claros de choque hemorrágico grave (instabilidade hemodinâmica, FAST positivo, fratura de quadril, Shock Index elevado, ABC score ≥ 2). A prioridade é controlar a hemorragia e reverter o choque, o que inclui ativar o Protocolo de Transfusão Maciça, administrar Ácido Tranexâmico e estabilizar a pelve com cinta.

Contexto Educacional

O trauma é uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente em jovens. O manejo inicial do paciente traumatizado grave, particularmente aquele com choque hemorrágico, é crítico e segue princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a identificação e controle de sangramentos que ameaçam a vida. O paciente descrito apresenta um quadro clássico de choque hemorrágico grave: instabilidade hemodinâmica, FAST positivo (indicando sangramento intra-abdominal), fratura aberta de quadril (fonte potencial de grande perda sanguínea), Shock Index elevado (FC/PAS > 0.9) e ABC score de 2 (indicando necessidade de transfusão maciça). A conduta imediata deve focar no controle da hemorragia e na ressuscitação. Isso inclui a ativação do Protocolo de Transfusão Maciça para reposição balanceada de hemoderivados, a administração precoce de Ácido Tranexâmico para inibir a fibrinólise e reduzir o sangramento, e a estabilização da pelve com uma cinta para conter o sangramento de fraturas pélvicas. A infusão excessiva de cristaloides deve ser evitada, pois pode diluir fatores de coagulação e piorar a coagulopatia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para ativar o Protocolo de Transfusão Maciça (PTM) no trauma?

Critérios incluem instabilidade hemodinâmica persistente, FAST positivo, ABC score ≥ 2, Shock Index ≥ 1.0, ou evidência de sangramento maciço em curso. O PTM visa repor hemoderivados em proporções balanceadas (plasma, plaquetas, hemácias).

Qual o papel do Ácido Tranexâmico (ATX) no trauma?

O Ácido Tranexâmico é um antifibrinolítico que reduz a mortalidade em pacientes traumatizados com sangramento significativo, especialmente se administrado nas primeiras 3 horas após o trauma. A dose usual é 1g IV em 10 minutos, seguido de 1g em 8 horas.

Por que a cinta pélvica é importante em fraturas de quadril no trauma?

A cinta pélvica é crucial para estabilizar fraturas instáveis da pelve, que podem causar sangramento maciço devido à rica vascularização da região. A compressão externa ajuda a reduzir o volume do anel pélvico e tamponar o sangramento, diminuindo a perda sanguínea.

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