Trauma Grave: Lactato e Base Excess como Indicadores

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019

Enunciado

Paciente masculino de 22 anos, vítima de acidente automobilístico (carro x carro) via municipal, há cerca de 40 minutos, com vítima fatal no local. Na sala de trauma de hospital referência, verificam-se os seguintes exames: hb = 9,8; Ht = 44%; GB = 19 mil; plaquetas = 190 mil; creatinina = 1,4; ureia = 42; pH = 7,26; pCO₂ = 36,5; HCO₃ = 15,8; BE = -10,5; SatO₂ = 99%; TP = 1,05; TTPA = 0,87; fibrinogênio = 100; Na = 139; k = 4,1; lactato = 8,7. Associando-se história e exame físico, quais os exames associam-se com maior gravidade?

Alternativas

  1. A) Hb e lactato
  2. B) TP e TTPA
  3. C) C) Hb e fibrinogênio
  4. D) lactato e BE

Pérola Clínica

Trauma grave: Lactato ↑ e Base Excess ↓ = choque e acidose, indicam maior gravidade.

Resumo-Chave

Lactato elevado e Base Excess (BE) negativo são marcadores sensíveis de hipoperfusão tecidual e acidose metabólica, refletindo a gravidade do choque e a necessidade de ressuscitação. Sua monitorização é crucial para guiar o tratamento e avaliar a resposta à terapia em pacientes traumatizados.

Contexto Educacional

Em pacientes vítimas de trauma grave, a avaliação rápida e precisa da gravidade é essencial para guiar a ressuscitação e melhorar o prognóstico. Além dos sinais vitais e do exame físico, exames laboratoriais específicos fornecem informações cruciais sobre a extensão da lesão e o estado fisiológico do paciente. A questão aborda a identificação dos exames que se associam com maior gravidade, focando em marcadores de choque e hipoperfusão. O lactato sérico e o Base Excess (BE) são indicadores metabólicos de grande valor prognóstico no trauma. O lactato elevado (8,7 mmol/L no caso) reflete hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico, indicando que os tecidos não estão recebendo oxigênio suficiente. Um Base Excess negativo (BE = -10,5 no caso) indica acidose metabólica, que no contexto de trauma é frequentemente causada por choque hipovolêmico e hipoperfusão. Ambos são marcadores sensíveis de gravidade e preditores de mortalidade, mesmo antes de alterações significativas na pressão arterial. Embora a hemoglobina (Hb = 9,8) e o fibrinogênio (100) também sejam importantes para avaliar sangramento e coagulopatia, o lactato e o BE fornecem uma visão mais imediata e abrangente da resposta fisiológica ao choque e da adequação da perfusão tecidual. TP e TTPA avaliam a coagulação, mas não são os principais marcadores de gravidade inicial do choque. Portanto, a combinação de lactato e BE é a que melhor se associa com maior gravidade e necessidade de intervenção imediata.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do lactato sérico no trauma?

O lactato sérico é um marcador de hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico. Níveis elevados indicam que os tecidos não estão recebendo oxigênio suficiente, sendo um forte preditor de gravidade e mortalidade em pacientes traumatizados, mesmo com pressão arterial normal.

O que o Base Excess (BE) indica em pacientes com trauma?

O Base Excess (BE) reflete o grau de acidose ou alcalose metabólica. Um BE negativo (excesso de base negativo) indica acidose metabólica, que no trauma é frequentemente causada por hipoperfusão e choque, sendo um excelente indicador da gravidade do sangramento e da necessidade de ressuscitação.

Como o lactato e o BE se relacionam com o choque hipovolêmico?

No choque hipovolêmico, a diminuição do volume sanguíneo leva à hipoperfusão e à redução da oferta de oxigênio aos tecidos. Isso resulta em metabolismo anaeróbico, com produção de lactato, e acidose metabólica, refletida por um BE negativo. Ambos são marcadores precoces e sensíveis da gravidade do choque.

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