Trauma na Gestante: Manejo do Choque e Compressão Aortocava

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2023

Enunciado

Gestante, 36 semanas de gestação sofre acidente motociclístico em rodovia de alta energia cinética. É transferida ao centro de trauma em prancha rígida, com colar cervical, com sinais de choque hipovolêmico grau II Além de realizar as manobras de reanimação preconizadas no atendimento ao politraumatizado, para melhorar o débito cardíaco, pode-se associar:

Alternativas

  1. A) Posicionar a paciente em proclive.
  2. B) Retirada da prancha rígida de imediato e posicionar a paciente em decúbito lateral direito.
  3. C) Colocar sob o lado direito da prancha rígida um coxim, deixando a paciente levemente em decúbito esquerdo.
  4. D) Ocitocina.

Pérola Clínica

Gestante politraumatizada > 20 semanas → decúbito lateral esquerdo (coxim D) para evitar compressão aortocava.

Resumo-Chave

Em gestantes com mais de 20 semanas de gestação, a compressão do útero gravídico sobre a veia cava inferior e a aorta (síndrome da hipotensão supina) pode comprometer o retorno venoso e o débito cardíaco, exacerbando o choque. Posicionar a paciente em decúbito lateral esquerdo, mesmo em prancha rígida, é crucial para aliviar essa compressão e otimizar a hemodinâmica materna e fetal.

Contexto Educacional

O trauma é uma das principais causas de mortalidade não obstétrica em gestantes, e o manejo adequado requer atenção às particularidades fisiológicas da gravidez. A gestante politraumatizada apresenta desafios únicos, pois a reanimação deve considerar tanto a mãe quanto o feto. O choque hipovolêmico é a principal causa de morte materna e fetal após o trauma. A fisiopatologia da compressão aortocava, também conhecida como síndrome da hipotensão supina, ocorre em gestantes com mais de 20 semanas devido ao tamanho do útero. Em decúbito dorsal, o útero comprime a veia cava inferior, diminuindo o retorno venoso e, consequentemente, o débito cardíaco materno. Isso pode levar à hipotensão materna e à hipoperfusão uteroplacentária, comprometendo o feto. No atendimento à gestante politraumatizada, após a estabilização inicial do ABCDE, é imperativo realizar o deslocamento uterino para a esquerda. Isso pode ser feito manualmente ou, como na questão, inclinando a prancha rígida com um coxim sob o lado direito da paciente. Essa medida simples pode melhorar significativamente a hemodinâmica materna e a perfusão fetal, sendo um ponto crucial para residentes que atuam em emergências e trauma.

Perguntas Frequentes

Por que a compressão aortocava é um risco em gestantes politraumatizadas?

Em gestantes com mais de 20 semanas, o útero gravídico pode comprimir a veia cava inferior e, em menor grau, a aorta quando a paciente está em decúbito dorsal, reduzindo o retorno venoso, o débito cardíaco e a perfusão uteroplacentária, agravando o choque.

Qual a manobra indicada para aliviar a compressão aortocava em gestantes traumatizadas?

A manobra indicada é o deslocamento uterino manual para a esquerda ou o posicionamento da paciente em decúbito lateral esquerdo, o que pode ser feito colocando um coxim sob o lado direito da prancha rígida para inclinar a paciente.

Quais são as prioridades no atendimento inicial da gestante politraumatizada?

As prioridades seguem o ABCDE do trauma, focando inicialmente na estabilização materna, pois a melhor forma de proteger o feto é otimizar a condição da mãe. Isso inclui controle de vias aéreas, respiração, circulação (com atenção à compressão aortocava), avaliação neurológica e exposição.

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