Trauma em Gestantes: Desvio Uterino e Reanimação Volêmica

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 27a, primigesta, com 38 semanas de ge tação, vítima de acidente automobilístico, chega à Unidade de Pronto Atendimento, trazida pelo SAMU em prancha rígida. Exame físico: PA= 88x56mmHg, FC= 124 bpm, FR= 23irpm.ALÉM DA REANIMAÇÃO VOLÊMICA A CONDUTA É DESVIAR MANUALMENTE O ÚTERO PARA A:

Alternativas

  1. A) Esquerda ou elevar o lado esquerdo do dorso.
  2. B) Direita ou elevar o lado direito do dorso.
  3. C) Esquerda ou elevar o lado direito do dorso.
  4. D) Direita ou elevar o lado esquerdo do dorso.

Pérola Clínica

Trauma em gestante > 20 semanas com hipotensão → desviar útero para ESQUERDA ou elevar lado DIREITO do dorso para aliviar compressão aortocava.

Resumo-Chave

Em gestantes com mais de 20 semanas, o útero gravídico pode comprimir a veia cava inferior e a aorta quando a paciente está em decúbito dorsal, causando a síndrome da hipotensão supina. Desviar o útero para a esquerda ou elevar o lado direito do dorso melhora o retorno venoso e o débito cardíaco, otimizando a reanimação volêmica.

Contexto Educacional

O trauma em gestantes é uma das principais causas de mortalidade não obstétrica materna e fetal. A avaliação e o manejo exigem considerações especiais devido às alterações fisiológicas da gravidez e à presença de dois pacientes (mãe e feto). A partir da 20ª semana de gestação, o útero gravídico torna-se grande o suficiente para causar a síndrome da hipotensão supina. Essa síndrome ocorre quando a gestante deita em decúbito dorsal, e o útero comprime a veia cava inferior e, em menor grau, a aorta. Isso resulta em diminuição do retorno venoso, redução do débito cardíaco materno e, consequentemente, hipotensão e hipoperfusão uteroplacentária. A conduta imediata, além da reanimação volêmica, é desviar o útero para a esquerda (manualmente ou inclinando a prancha rígida em 15-30 graus para a esquerda) para aliviar essa compressão. A reanimação volêmica deve ser agressiva, visando a estabilidade materna, que é a melhor forma de garantir a perfusão fetal. A monitorização fetal contínua é essencial para avaliar o bem-estar do feto. O conhecimento dessas particularidades é fundamental para o manejo adequado e para otimizar os resultados maternos e fetais em situações de trauma.

Perguntas Frequentes

Por que é crucial desviar o útero para a esquerda em gestantes traumatizadas?

Em gestantes com mais de 20 semanas, o útero gravídico pode comprimir a veia cava inferior e a aorta quando em decúbito dorsal, levando à síndrome da hipotensão supina. Desviar o útero para a esquerda ou elevar o lado direito do dorso alivia essa compressão, melhorando o retorno venoso e o débito cardíaco materno e fetal.

Quais são os sinais da síndrome da hipotensão supina em gestantes?

Os sinais incluem hipotensão, taquicardia, tontura, náuseas e palidez, que ocorrem quando a gestante está em decúbito dorsal devido à compressão da veia cava inferior pelo útero, reduzindo o retorno venoso ao coração.

Além do desvio uterino, quais são as prioridades na reanimação de uma gestante traumatizada?

As prioridades incluem a avaliação e estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABCDE), controle de hemorragias, reanimação volêmica agressiva com cristaloides e monitoramento fetal contínuo, além da avaliação de descolamento prematuro de placenta.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo