FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024
Uma gestante, vítima de atropelamento por uma moto que trafegava em baixa velocidade, foi levada ao pronto‑socorro. Ao chegar ao local, a vítima estava consciente, falando sem dificuldade, mas um pouco taquipneica e confusa, com FC de 100 bpm, escoriações nas duas pernas e útero palpável em nível do rebordo costal. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o procedimento para o atendimento inicial, conforme os princípios do suporte de vida avançado no trauma (ATLS).
Trauma em gestante: priorizar mãe (ABCDE), deslocar útero para E, repor volume, O2, avaliar feto após estabilização materna.
No trauma em gestantes, a prioridade é sempre a estabilização materna, seguindo os princípios do ATLS. O deslocamento do útero para a esquerda é crucial para aliviar a compressão aortocava e otimizar o retorno venoso e o débito cardíaco. A avaliação fetal deve ser realizada após a estabilização da mãe.
O trauma é uma das principais causas de morbimortalidade em gestantes, e seu manejo requer considerações especiais devido às alterações fisiológicas da gravidez e à presença do feto. O Suporte de Vida Avançado no Trauma (ATLS) adapta seus princípios para garantir a melhor abordagem possível, priorizando a vida materna, pois a sobrevivência fetal está intrinsecamente ligada à estabilidade da mãe. As alterações fisiológicas da gravidez, como o aumento do volume sanguíneo, a diminuição da pressão arterial e o aumento da frequência cardíaca, podem mascarar os sinais de choque hipovolêmico. Além disso, o útero gravídico pode comprimir a veia cava inferior e a aorta quando a gestante está em decúbito dorsal, levando à síndrome da compressão aortocava. A avaliação inicial segue o ABCDE, com atenção especial à oxigenação e reposição volêmica. A conduta no trauma em gestantes inclui o deslocamento manual do útero para a esquerda (ou inclinação da prancha) para aliviar a compressão aortocava, a reposição volêmica agressiva com cristaloides, e a administração de oxigênio suplementar. A avaliação fetal, incluindo monitoramento da frequência cardíaca fetal e ultrassonografia, deve ser realizada após a estabilização materna. É crucial suspeitar de lesões uterinas, descolamento prematuro de placenta e parto prematuro, além de outras lesões traumáticas.
Deslocar o útero para a esquerda é fundamental para aliviar a compressão da veia cava inferior e da aorta pelo útero gravídico, prevenindo a síndrome da compressão aortocava, que pode levar a hipotensão materna e comprometimento da perfusão uteroplacentária.
A avaliação fetal deve ser realizada somente após a estabilização completa da mãe, seguindo a sequência do ABCDE do trauma. A prioridade é sempre a vida da mãe, pois a sobrevivência fetal depende diretamente da estabilidade materna.
As vias aéreas e a respiração são manejadas de forma similar à paciente não grávida, mas é importante considerar as alterações fisiológicas da gravidez, como o aumento do consumo de oxigênio e a diminuição da capacidade residual funcional, que podem levar à hipóxia mais rapidamente. A oferta de oxigênio suplementar é sempre indicada.
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