INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Criança com 2 anos de idade foi vítima de atropelamento por automóvel há 20 minutos, sendo trazida pelo SAMU, juntamente com a mãe. Ao chegar ao hospital de referência terciária, encontra-se chorosa, responde ao estímulo verbal e queixa-se de muita dor abdominal, com discreto aumento do volume abdominal. Os sinais vitais são: frequência cardíaca = 148 bpm, pressão arterial = 90 x 60 mmHg, frequência respiratória = 58 irpm e saturação de oxigênio de 96%. Após reposição volêmica na sala de trauma, foi submetida à realização de tomografia computadorizada de crânio e de tórax, que não mostraram alterações. A tomografia computadorizada de abdome mostrou lesão esplênica grau II. Quais os próximos passos da conduta diagnóstica e terapêutica?
Trauma esplênico pediátrico estável → conduta conservadora (observação); instável → laparotomia.
A maioria das lesões esplênicas em crianças é tratada de forma conservadora. A decisão cirúrgica baseia-se na resposta hemodinâmica à reposição volêmica, e não apenas no grau da lesão tomográfica.
O trauma esplênico é a lesão de órgão sólido mais comum na população pediátrica. Diferente dos adultos, a preservação esplênica é priorizada devido ao risco de sepse fulminante pós-esplenectomia (OPSI). A classificação tomográfica (Grau I a V) auxilia na conduta, mas a clínica é soberana. No caso apresentado, a criança apresenta taquicardia (148 bpm), o que pode indicar choque compensado. A reposição volêmica inicial é o passo crucial. Se a criança mantiver estabilidade após os bolus de cristaloide, a observação em ambiente monitorado é a conduta correta para uma lesão Grau II.
A prioridade absoluta é a estabilização hemodinâmica seguindo os protocolos do ATLS/PALS. Em crianças, o baço tem uma cápsula mais espessa e maior proporção de fibras elásticas, o que favorece a hemostasia espontânea. Portanto, o Manejo Não Operatório (NOM) é o padrão-ouro para pacientes estáveis ou que estabilizam após reposição inicial.
A laparotomia está indicada em casos de instabilidade hemodinâmica persistente apesar da reposição volêmica agressiva (geralmente após 40 ml/kg de cristaloides ou necessidade de concentrado de hemácias > 20 ml/kg), sinais de peritonite, ou evidência de lesão de víscera oca associada.
O paciente deve ser mantido em unidade de terapia intensiva ou observação rigorosa, com repouso absoluto, monitorização contínua de sinais vitais, exames seriados de hematócrito/hemoglobina e exame físico abdominal repetido. A falha do tratamento conservador é indicada por queda persistente do hematócrito ou piora clínica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo