Trauma Esplênico Pediátrico: Manejo e Conduta Inicial

HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 9 anos de idade, é trazido ao pronto-socorro devido a atropelamento por motocicleta. Ao exame físico, apresenta vias aéreas pérvias, descorado ++/4+, Pressão Arterial = 94 x 65 mmHg, Frequência Cardíaca = 102 bpm, SatO2 = 96% em ar ambiente, Glasgow 15. Apresenta abdome distendido e pouco doloroso à palpação profunda em quadrantes esquerdos. Exames laboratoriais evidenciando Hb = 10,2 g/dL; Ht = 28%. Tomografia computadorizada de abdome revelou trauma esplênico grau III, sem extravasamento de contraste, e moderada quantidade de líquido livre na cavidade. Assinale a conduta inicial mais adequada, dentre as abaixo:

Alternativas

  1. A) Reposição volêmica e paracentese abdominal.
  2. B) Reposição volêmica, internação em UTI e monitorização.
  3. C) Reposição volêmica e laparotomia exploradora.
  4. D) Alta hospitalar.

Pérola Clínica

Trauma esplênico pediátrico estável: Reposição volêmica, UTI e monitorização (manejo não operatório).

Resumo-Chave

Em trauma esplênico pediátrico, a conduta inicial para pacientes hemodinamicamente estáveis, mesmo com lesões de grau moderado e líquido livre, é o manejo não operatório. Isso inclui reposição volêmica, internação em UTI para monitorização intensiva e observação rigorosa, visando a preservação do baço.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa comum de morbimortalidade em crianças, sendo o baço o órgão mais frequentemente lesado. O trauma esplênico em pediatria tem uma particularidade importante: a maioria dos casos pode ser manejada de forma não operatória, com altas taxas de sucesso. A preservação do baço é crucial na infância devido à sua função imunológica, prevenindo a sepse pós-esplenectomia, uma complicação grave. A avaliação inicial de um paciente pediátrico vítima de trauma segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. A estabilidade hemodinâmica é o fator determinante para a escolha da conduta no trauma esplênico. Mesmo lesões de alto grau (como grau III) e a presença de líquido livre na cavidade abdominal não são, por si só, indicações para cirurgia se a criança estiver hemodinamicamente estável e respondendo à reposição volêmica. O manejo não operatório consiste em internação em UTI, monitorização intensiva dos sinais vitais, hemoglobina e hematócrito seriados, reposição volêmica com cristaloides e, se necessário, transfusão de hemoderivados. O repouso no leito e a restrição de atividades físicas são mantidos até a cicatrização da lesão. A falha do manejo não operatório é indicada por instabilidade hemodinâmica persistente, sangramento ativo contínuo ou necessidade de transfusões maciças, o que levaria à indicação de laparotomia exploradora.

Perguntas Frequentes

Quando o manejo não operatório é indicado para trauma esplênico em crianças?

O manejo não operatório é a conduta de escolha para a maioria dos traumas esplênicos em crianças que estão hemodinamicamente estáveis, independentemente do grau da lesão esplênica. A estabilidade hemodinâmica é o critério principal, mesmo na presença de líquido livre abdominal.

Quais são os pilares do manejo não operatório no trauma esplênico pediátrico?

Os pilares incluem: reposição volêmica agressiva com cristaloides e, se necessário, hemoderivados; internação em unidade de terapia intensiva (UTI) para monitorização contínua de sinais vitais e hemoglobina; repouso no leito; e exames de imagem seriados para acompanhar a evolução da lesão.

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica que indicam falha do manejo não operatório?

Sinais de instabilidade incluem: hipotensão persistente apesar da reposição volêmica adequada, taquicardia progressiva, diminuição do nível de consciência, necessidade crescente de transfusões sanguíneas para manter a estabilidade e evidência de sangramento ativo contínuo em exames de imagem.

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