SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Uma criança de 5 anos foi atropelada por motocicleta. Na avaliação inicial no pronto-socorro, é diagnosticada lesão esplênica isolada. Principal fator que deve ser levado em consideração para indicação cirúrgica:
Trauma esplênico pediátrico: Instabilidade hemodinâmica é o principal fator para indicação cirúrgica.
No trauma esplênico em crianças, o manejo não operatório é a regra, com altas taxas de sucesso. A decisão de operar é guiada primariamente pela condição hemodinâmica do paciente, e não pelo grau da lesão ou volume de líquido livre, que podem ser enganosos.
O trauma esplênico é a lesão de órgão sólido abdominal mais comum em crianças, frequentemente resultante de acidentes automobilísticos ou quedas. A abordagem inicial no pronto-socorro visa estabilizar o paciente e identificar lesões com risco de vida, seguindo os princípios do ATLS. A importância clínica reside na alta prevalência e na necessidade de um manejo adequado para evitar complicações graves. A fisiopatologia envolve a ruptura do parênquima esplênico, levando a sangramento intra-abdominal. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico e exames de imagem como o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) e a tomografia computadorizada (TC) com contraste. A suspeita deve surgir em qualquer criança com trauma abdominal significativo e sinais de dor ou distensão. O tratamento do trauma esplênico pediátrico é predominantemente não operatório, com taxas de sucesso superiores a 90%. A indicação cirúrgica (laparotomia exploradora) é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente, apesar da ressuscitação volêmica adequada. O prognóstico é geralmente bom com o manejo conservador, mas a monitorização rigorosa é crucial para detectar falha do tratamento não operatório.
Taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos periféricos diminuídos, alteração do nível de consciência e oligúria são sinais de instabilidade hemodinâmica em crianças traumatizadas.
O manejo não operatório é preferencial para preservar o baço, um órgão vital para a imunidade, especialmente em crianças, reduzindo o risco de sepse pós-esplenectomia.
A tomografia avalia o grau da lesão esplênica e a presença de outras lesões, mas não é o principal fator para decidir a cirurgia; a condição hemodinâmica é primordial.
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