Trauma Esplênico Pediátrico: Indicação Cirúrgica

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Uma criança de 5 anos foi atropelada por motocicleta. Na avaliação inicial no pronto-socorro, é diagnosticada lesão esplênica isolada. Principal fator que deve ser levado em consideração para indicação cirúrgica: 

Alternativas

  1. A) Queda de 2 g/dL ou mais nos níveis de hemoglobina, em relação ao valor de entrada.
  2. B) Quantidade de líquido livre no abdome, pela tomografia.
  3. C) Presença e intensidade da dor abdominal.
  4. D) Condição hemodinâmica.
  5. E) Grau da lesão esplênica, embora se deva levar em consideração que, no trauma, a imagem tomográfica tende a hiperestimar a gravidade das lesões de vísceras parenquimatosas.

Pérola Clínica

Trauma esplênico pediátrico: Instabilidade hemodinâmica é o principal fator para indicação cirúrgica.

Resumo-Chave

No trauma esplênico em crianças, o manejo não operatório é a regra, com altas taxas de sucesso. A decisão de operar é guiada primariamente pela condição hemodinâmica do paciente, e não pelo grau da lesão ou volume de líquido livre, que podem ser enganosos.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é a lesão de órgão sólido abdominal mais comum em crianças, frequentemente resultante de acidentes automobilísticos ou quedas. A abordagem inicial no pronto-socorro visa estabilizar o paciente e identificar lesões com risco de vida, seguindo os princípios do ATLS. A importância clínica reside na alta prevalência e na necessidade de um manejo adequado para evitar complicações graves. A fisiopatologia envolve a ruptura do parênquima esplênico, levando a sangramento intra-abdominal. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico e exames de imagem como o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) e a tomografia computadorizada (TC) com contraste. A suspeita deve surgir em qualquer criança com trauma abdominal significativo e sinais de dor ou distensão. O tratamento do trauma esplênico pediátrico é predominantemente não operatório, com taxas de sucesso superiores a 90%. A indicação cirúrgica (laparotomia exploradora) é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente, apesar da ressuscitação volêmica adequada. O prognóstico é geralmente bom com o manejo conservador, mas a monitorização rigorosa é crucial para detectar falha do tratamento não operatório.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em trauma pediátrico?

Taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos periféricos diminuídos, alteração do nível de consciência e oligúria são sinais de instabilidade hemodinâmica em crianças traumatizadas.

Por que o manejo não operatório é preferencial no trauma esplênico pediátrico?

O manejo não operatório é preferencial para preservar o baço, um órgão vital para a imunidade, especialmente em crianças, reduzindo o risco de sepse pós-esplenectomia.

Qual o papel da tomografia no trauma esplênico pediátrico?

A tomografia avalia o grau da lesão esplênica e a presença de outras lesões, mas não é o principal fator para decidir a cirurgia; a condição hemodinâmica é primordial.

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