Manejo Conservador do Trauma Esplênico Grau III

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 17 anos chega ao pronto-socorro com dor em hipocôndrio esquerdo após queda de bicicleta há cerca de 6 horas. Ao exame, está hipocorado +/4, com PA: 120 x 80 mmHg e FC: 88 bpm. Realiza tomografia computadorizada de abdômen, que mostra presença de pouca a moderada quantidade de líquido em hipocôndrio esquerdo com laceração grau III, em baço, sem extravasamento (blush) de contraste arterial. Apresenta hematócrito de 30% e hemoglobina de 9,5 mg/dL. A melhor conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Observação por 12 horas na sala de emergência.
  2. B) Cristaloides intravenosos e observação clínica em UTI.
  3. C) Transfusão de concentrado de hemácias e embolização arterial por arteriografia.
  4. D) Cristaloides intravenosos e embolização arterial por arteriografia.
  5. E) Transfusão de concentrado de hemácias e laparotomia exploradora.

Pérola Clínica

Trauma esplênico estável (Grau I-III) sem blush → Tratamento Não Operatório (UTI).

Resumo-Chave

A estabilidade hemodinâmica é o fator determinante para o tratamento conservador no trauma esplênico, independentemente do grau da lesão na TC (até grau III/IV).

Contexto Educacional

O manejo do trauma esplênico evoluiu significativamente para a preservação do órgão (Tratamento Não Operatório - TNO). Segundo a escala da AAST, o Grau III envolve lacerações de parênquima > 3 cm de profundidade ou hematomas subcapsulares > 50% da área de superfície. No paciente estável (PA 120/80, FC 88), o TNO é a conduta de escolha. A ausência de 'blush' arterial na tomografia indica que não há sangramento ativo vultoso no momento, o que reforça a segurança da observação clínica. O tratamento consiste em repouso absoluto, hidratação venosa criteriosa e vigilância hemodinâmica em UTI. A queda do hematócrito (30%) e hemoglobina (9,5) é esperada devido ao sangramento inicial e hemodiluição, não sendo, isoladamente, indicação de cirurgia ou transfusão imediata se o paciente estiver compensado.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para o Tratamento Não Operatório (TNO) no baço?

Estabilidade hemodinâmica, ausência de sinais de peritonite e ausência de outras lesões abdominais que exijam laparotomia. O grau da lesão na TC ajuda, mas não é o único fator.

Quando a embolização arterial está indicada?

Está indicada quando há presença de 'blush' (extravasamento de contraste) na TC em pacientes estáveis, ou em lesões de alto grau (IV e V) como tentativa de preservar o órgão.

Qual a importância da monitorização em UTI?

O TNO tem risco de falha (hemorragia tardia). A monitorização rigorosa de sinais vitais e hematócrito seriado em ambiente de terapia intensiva é fundamental nas primeiras 24-48 horas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo