Trauma Esplênico Grau IV: Diagnóstico e Manejo com Arteriografia

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 23 anos de idade, no pronto-socorro, vítima de acidente auto x moto. Avaliação inicial mostrou vias aéreas pérvias, ausculta pulmonar normal, ausência de crepitações ou enfisemas, saturação de oxigênio = 98% em ar ambiente, com pressão arterial = 90 x 60 mmHg, frequência cardíaca = 100 batimentos/minuto e boa perfusão periférica. Pontuação na Escala de Coma de Glasgow = 15. Ausência de deformidades ou fraturas em extremidades. Abdome doloroso, tenso, com equimose em flanco esquerdo. Tomografia computadorizada de abdome evidenciou: laceração esplênica de 6cm, com extravasamento de contraste positivo em hilo esplênico. Aponte a classificação do trauma e a conduta a seguir:

Alternativas

  1. A) Trauma esplênico grau III e arteriografia
  2. B) Trauma esplênico grau IV e laparotomia
  3. C) Trauma esplênico grau III e laparotomia
  4. D) Trauma esplênico grau IV e arteriografia

Pérola Clínica

Trauma esplênico com extravasamento de contraste ativo → Grau IV e indica arteriografia/embolização ou laparotomia se instável.

Resumo-Chave

O extravasamento de contraste em tomografia computadorizada após trauma esplênico é um sinal de sangramento ativo, indicando lesão de alto grau (geralmente IV ou V) e instabilidade potencial. A arteriografia com embolização é uma conduta preferencial para controle do sangramento em pacientes hemodinamicamente estáveis.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é a lesão de órgão sólido mais comum em traumas abdominais fechados. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), focando na estabilização hemodinâmica do paciente. A classificação das lesões esplênicas é feita pela American Association for the Surgery of Trauma (AAST), que varia de Grau I a V, baseando-se na extensão da laceração, hematoma e envolvimento vascular. A presença de extravasamento de contraste na tomografia computadorizada é um achado crítico, pois indica sangramento ativo e é um preditor de falha do tratamento não operatório. Este achado, especialmente em lesões maiores que 3 cm ou com envolvimento hilar, geralmente classifica o trauma como Grau IV ou V. Em pacientes hemodinamicamente estáveis com extravasamento ativo, a arteriografia com embolização é uma conduta cada vez mais utilizada, permitindo o controle do sangramento e a preservação do baço, evitando a esplenectomia e suas complicações. Para residentes, é fundamental diferenciar pacientes estáveis de instáveis. Pacientes instáveis com trauma esplênico e sangramento ativo requerem laparotomia exploradora imediata. Já os estáveis, mesmo com lesões de alto grau e extravasamento, podem se beneficiar da embolização. O caso apresentado, com laceração de 6cm e extravasamento em hilo, configura um trauma esplênico Grau IV, e a arteriografia é a conduta apropriada para um paciente com boa perfusão periférica e FC de 100, indicando estabilidade relativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar o trauma esplênico como Grau IV?

O trauma esplênico Grau IV, segundo a AAST, inclui lacerações profundas que envolvem vasos segmentares ou hilares, com desvascularização maior que 25% do baço, ou hematoma intraparenquimatoso maior que 10 cm. O extravasamento ativo de contraste na TC é um forte indicativo de lesão de alto grau, frequentemente Grau IV ou V.

Quando a arteriografia com embolização é a conduta indicada no trauma esplênico?

A arteriografia com embolização é indicada para pacientes com trauma esplênico de alto grau (III-V) que estão hemodinamicamente estáveis e apresentam extravasamento ativo de contraste na tomografia, pseudoaneurisma ou fístula arteriovenosa. Ela permite o controle do sangramento de forma menos invasiva que a laparotomia.

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica que indicariam laparotomia imediata em trauma esplênico?

Sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão persistente (PA sistólica < 90 mmHg), taquicardia (> 120 bpm), má perfusão periférica, ou necessidade contínua de transfusão sanguínea para manter a pressão. Nesses casos, a laparotomia exploradora para esplenectomia ou reparo é a conduta de escolha.

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