Falha no Tratamento Não Operatório do Trauma Esplênico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 28 anos, vítima de acidente automobilístico em colisão frontal, é admitido no pronto-socorro hemodinamicamente estável. Na avaliação inicial, apresenta dor abdominal difusa, sem sinais de irritação peritoneal. A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome revelou lesão esplênica grau III com pequeno hematoma subcapsular, sem extravasamento de contraste e mínimo líquido livre na cavidade peritoneal. Foi iniciado Tratamento Não Operatório (TNO), com monitorização rigorosa em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após 12 horas, o paciente evolui com aumento da dor abdominal, taquicardia (FC 120 bpm), hipotensão (PA 85/55 mmHg) e queda de 3 pontos nos níveis de hemoglobina. A reavaliação por ultrassonografia FAST evidenciou líquido livre na cavidade peritoneal nas três janelas abdominais. A conduta indicada neste caso é:

Alternativas

  1. A) Manter o tratamento não operatório com reposição volêmica e transfusão sanguínea.
  2. B) Solicitar nova tomografia computadorizada de abdome para reavaliação detalhada.
  3. C) Iniciar protocolo de transfusão maciça e observar clinicamente o paciente.
  4. D) Indicar laparotomia exploradora imediata associada a hemotransfusão.
  5. E) Inserir dreno peritoneal para monitorar a evolução da quantidade e do aspecto do líquido livre.

Pérola Clínica

TNO falhou + Instabilidade hemodinâmica → Laparotomia exploradora imediata.

Resumo-Chave

A instabilidade hemodinâmica em um paciente com trauma abdominal prévio, associada a sinais de hemoperitônio, indica falha do tratamento conservador e necessidade de cirurgia urgente.

Contexto Educacional

O manejo do trauma esplênico mudou drasticamente nas últimas décadas, priorizando a preservação do baço para evitar a sepse pós-esplenectomia. Contudo, a segurança do paciente é primordial. O caso clínico descreve uma falha clássica do TNO: o paciente estava estável e evoluiu com sinais claros de choque hemorrágico (hipotensão, taquicardia e queda de Hb) e aumento do líquido livre. Nesta situação, a realização de uma nova TC é contraindicada pelo risco de morte durante o exame devido à instabilidade. A conduta padrão-ouro é a laparotomia exploradora para controle da hemorragia. A reposição volêmica e hemotransfusão devem ocorrer simultaneamente ao transporte para o bloco cirúrgico, seguindo os preceitos do ATLS.

Perguntas Frequentes

Quando indicar o tratamento não operatório (TNO) no trauma esplênico?

O TNO é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de irritação peritoneal, e que apresentem lesões documentadas por TC (geralmente graus I a III, mas até graus IV e V podem ser tentados em centros selecionados). É fundamental que haja monitorização contínua e disponibilidade imediata de centro cirúrgico.

Quais os sinais de falha do tratamento não operatório?

Os principais sinais de falha incluem instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) que não responde ou responde transitoriamente à reposição, queda persistente dos níveis de hemoglobina, surgimento de sinais de peritonite ou aumento significativo do volume de líquido livre intra-abdominal detectado por imagem (FAST ou TC).

Qual o papel do FAST na reavaliação do trauma abdominal?

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta rápida para detectar líquido livre. Em um paciente que estava em TNO e evolui com choque, um FAST positivo em múltiplas janelas confirma o hemoperitônio volumoso, dispensando a TC e direcionando o paciente imediatamente para a laparotomia de controle de danos.

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