Manejo Atual do Trauma Esplênico: Conservador vs Cirúrgico

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024

Enunciado

Sobre o trauma esplênico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Cada vez mais o tratamento cirúrgico é o escolhido.
  2. B) O tratamento conservador demonstra cada vez mais sucesso, sendo parte dele o exame físico seriado, controle de hemoglobina e repouso absoluto no leito.
  3. C) Não tem classificação conforme parênquima acometido, somente diferenciação se houve hematoma ou laceração no mesmo.
  4. D) Geralmente o tratamento cirúrgico proposto é a esplenectomia parcial.

Pérola Clínica

Estabilidade hemodinâmica + ausência de peritonite = Tratamento conservador (NOM) no trauma esplênico.

Resumo-Chave

O manejo não operatório (NOM) é o padrão para trauma esplênico em pacientes estáveis, baseando-se em observação rigorosa, exames seriados e repouso, visando preservar a função imunológica do baço.

Contexto Educacional

O baço é o órgão sólido mais frequentemente lesionado no trauma abdominal fechado. Historicamente, a esplenectomia era a regra, mas o reconhecimento da sepse pós-esplenectomia (OPSI) e a melhoria dos métodos de imagem (TC) e intervenção (angioembolização) mudaram o paradigma para a preservação esplênica. Atualmente, mais de 80% dos traumas esplênicos em centros de trauma de nível I são manejados de forma não operatória. O sucesso do manejo não operatório depende de uma vigilância clínica estreita. Isso inclui repouso absoluto inicial, monitorização de sinais vitais, exames físicos abdominais repetidos pelo mesmo examinador e dosagens seriadas de hematócrito/hemoglobina. A falha do tratamento conservador geralmente ocorre nas primeiras 72 horas, sendo a instabilidade hemodinâmica o principal gatilho para a conversão cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para o tratamento conservador no trauma esplênico?

Os critérios fundamentais incluem estabilidade hemodinâmica (ou resposta rápida à reposição volêmica), ausência de sinais de irritação peritoneal (que sugeririam lesão de víscera oca associada) e a capacidade de monitoramento contínuo em ambiente hospitalar. A classificação da AAST ajuda a guiar a vigilância, mas não é o único determinante; mesmo lesões de alto grau (IV e V) podem ser manejadas conservadoramente se o paciente estiver estável.

Qual o papel da angioembolização no trauma de baço?

A angioembolização é uma ferramenta valiosa no manejo não operatório (NOM). Ela é indicada quando há evidência de extravasamento de contraste (blush) na tomografia, pseudoaneurismas ou fístulas arteriovenosas em pacientes hemodinamicamente estáveis. Essa técnica aumenta as taxas de sucesso do tratamento conservador, evitando a necessidade de laparotomia e preservando o parênquima esplênico funcional.

Quando a esplenectomia é mandatória?

A esplenectomia (geralmente total no trauma) é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica refratária à ressuscitação inicial, sinais óbvios de peritonite, ou falha documentada do tratamento conservador (queda persistente de hemoglobina ou piora clínica). Em situações de trauma multissistêmico grave (Damage Control), a remoção rápida do baço sangrante é essencial para o controle da tríade letal.

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