Trauma Esplênico: Quando Indicar Cirurgia de Emergência

ENARE/ENAMED — Prova 2025

Enunciado

Um adolescente de 16 anos foi admitido no pronto-socorro após queda de motocicleta. Ele estava lúcido e com sinais vitais estáveis. Realizou-se uma tomografia computadorizada do abdômen, que mostrou uma laceração esplênica grau II. Optou-se por um tratamento conservador inicial com monitoramento em unidade de terapia intensiva. Após 24 horas de internação, o paciente apresentou uma queda súbita na pressão arterial, aumento da frequência cardíaca e sinais de irritação peritoneal. Uma nova TC de abdômen mostrou aumento significativo do hemoperitônio e sinais de ruptura esplênica adicional.Diante desse quadro, a conduta mais apropriada para esse paciente é:

Alternativas

  1. A) indicar a cirurgia de Warren;
  2. B) realizar uma embolização seletiva da artéria esplênica;
  3. C) transferi-lo para a sala de cirurgia para uma esplenectomia de emergência;
  4. D) continuar com o manejo conservador e aumentar a frequência de monitoramento hemodinâmico;
  5. E) administrar fluidos intravenosos e realizar a transfusão sanguínea, mantendo o paciente sob observação.

Pérola Clínica

Trauma esplênico + Instabilidade hemodinâmica APÓS manejo conservador = Cirurgia de emergência (esplenectomia).

Resumo-Chave

A falha do tratamento conservador em trauma esplênico, evidenciada por instabilidade hemodinâmica (queda súbita da PA, aumento da FC) e sinais de sangramento ativo (irritação peritoneal, aumento do hemoperitônio na TC), é uma indicação clara para intervenção cirúrgica de emergência, geralmente esplenectomia.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é a lesão de órgão sólido abdominal mais comum em traumas contusos, especialmente em crianças e adolescentes. O manejo evoluiu significativamente nas últimas décadas, com uma preferência crescente pelo tratamento conservador em pacientes hemodinamicamente estáveis, visando preservar o baço e suas funções imunológicas. No entanto, a falha do tratamento conservador é uma complicação grave que exige reavaliação imediata da conduta. A decisão entre tratamento conservador e cirúrgico é guiada pela estabilidade hemodinâmica do paciente. Pacientes estáveis, mesmo com lacerações esplênicas de grau moderado, podem ser monitorados em UTI. Contudo, a instabilidade hemodinâmica persistente ou recorrente, evidenciada por hipotensão, taquicardia, necessidade de transfusões maciças, ou sinais de sangramento ativo e aumento do hemoperitônio em exames de imagem, indica falha do tratamento conservador e a necessidade de intervenção cirúrgica de emergência. Para residentes, é crucial reconhecer os sinais de falha do tratamento conservador e não hesitar em indicar a cirurgia. A esplenectomia de emergência é frequentemente a medida salvadora nesses casos, pois permite o controle rápido da hemorragia. Embora a embolização seletiva da artéria esplênica possa ser uma opção em casos selecionados de sangramento ativo com estabilidade hemodinâmica, a instabilidade hemodinâmica é uma contraindicação e exige a laparotomia imediata.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para o tratamento conservador do trauma esplênico?

O tratamento conservador é indicado para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de irritação peritoneal difusa, com lacerações esplênicas de baixo grau (I a III) e sem outras lesões abdominais que exijam cirurgia. Requer monitoramento rigoroso em UTI.

Quais sinais indicam falha do tratamento conservador em trauma esplênico?

A falha do tratamento conservador é indicada por instabilidade hemodinâmica persistente ou recorrente (hipotensão, taquicardia), necessidade contínua de transfusões sanguíneas, sinais de irritação peritoneal progressiva ou aumento significativo do hemoperitônio em exames de imagem.

Qual a conduta para um paciente com falha do tratamento conservador de trauma esplênico?

Diante da falha do tratamento conservador e instabilidade hemodinâmica, a conduta mais apropriada é a intervenção cirúrgica de emergência. Na maioria dos casos, isso significa uma laparotomia exploradora com esplenectomia para controlar o sangramento e estabilizar o paciente.

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