AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023
Paciente de 21 anos, masculino, vítima de trauma contuso em região de hipocôndrio esquerdo, causado por queda de cavalo, é encaminhado à emergência. Na chegada, paciente apresenta abertura ocular ao chamado, encontra-se gemente, não sabe dizer onde está, mas refere dor em região abdominal e localiza a dor. Ao exame físico, apresenta defesa à palpação abdominal PA 64/50mmHg, FC 113, SPO₂ 94% em AA. Realizada ressuscitação volêmica, sem resposta com necessidade de início de vasopressor. Persiste com hipotensão refratária. De acordo com o caso clínico, é CORRETO afirmar:
Trauma hipocôndrio esquerdo + choque refratário → suspeita lesão esplênica. Pós-esplenectomia = vacinação contra encapsulados.
Trauma contuso no hipocôndrio esquerdo com instabilidade hemodinâmica refratária sugere lesão de órgão sólido, sendo o baço o mais comum. A esplenectomia, se necessária, exige vacinação contra bactérias encapsuladas para prevenir infecções graves.
O trauma abdominal contuso é uma causa significativa de morbimortalidade, e a lesão esplênica é a mais comum em traumas de órgãos sólidos no abdome. A suspeita deve ser alta em pacientes com trauma no hipocôndrio esquerdo e sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão e taquicardia. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS, priorizando a estabilização do paciente. Em casos de choque refratário à ressuscitação volêmica, a intervenção cirúrgica imediata para controle do sangramento é vital, muitas vezes sem tempo para exames de imagem avançados. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é uma ferramenta crucial para avaliar o nível de consciência em pacientes traumatizados. É composta por três componentes: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. A pontuação correta é fundamental para o prognóstico e manejo. No caso de lesão esplênica que requer esplenectomia, o paciente fica suscetível a infecções graves e fulminantes por bactérias encapsuladas (como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo B), devido à perda da função imune do baço. Por isso, a vacinação pós-esplenectomia é uma medida profilática essencial e deve ser realizada idealmente antes da alta hospitalar ou logo após, seguindo um esquema vacinal específico. O residente deve estar apto a identificar a necessidade de esplenectomia, calcular corretamente a ECG e prescrever o esquema vacinal adequado para prevenir complicações futuras, garantindo a segurança e a qualidade de vida do paciente.
Sinais de alerta incluem dor em hipocôndrio esquerdo, defesa abdominal, instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), e sinais de choque. A dor irradiada para o ombro esquerdo (sinal de Kehr) também pode estar presente.
A conduta inicial é a ressuscitação volêmica agressiva. Se o choque persistir e houver alta suspeita de sangramento abdominal, a laparotomia exploratória de emergência é indicada, sem atraso para exames de imagem em pacientes instáveis.
Após esplenectomia, são indicadas vacinas contra Pneumococo, Meningococo e Haemophilus influenzae tipo B. Isso se deve ao risco aumentado de infecções fulminantes por bactérias encapsuladas, já que o baço é crucial na defesa contra esses patógenos.
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