IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2021
Mulher de 58 anos, vítima de acidente automobilístico, colisão carro x carro. chega a serviço de alta complexidade com equipe cirúrgica perene e UTI completa de retaguarda.EF: consciente, orientada e imobilizada em prancha rígida e colar cervical. FC = 110 bpm, PA = 90x60 mmHg, MV + sem ruídos adventícios, abdome globoso, doloroso à palpação de flanco e hipocôndrio esquerdos, com presença de hematoma e discreta irritação peritoneal em hipocôndrio esquerdo. Hb: 9,8 g/dL. Após infusão endovenosa de 3 litros de cristaloide, paciente apresenta FC = 95 bpm e PA = 110x60 mmHg. Realizou TC de abdome: laceração esplênica de 3 cm de profundidade, com presença de líquido periesplênico. A conduta é:
Trauma esplênico: paciente estável hemodinamicamente após cristaloides → observação em UTI.
Em pacientes vítimas de trauma abdominal com lesão esplênica, a estabilidade hemodinâmica é o fator determinante para a conduta. Se o paciente responde à reposição volêmica e se mantém estável, a observação em UTI com tratamento não operatório (TNO) é a abordagem preferencial, especialmente em serviços com recursos adequados.
O trauma esplênico é uma lesão comum em traumas abdominais fechados, e o baço é o órgão abdominal mais frequentemente lesado. Historicamente, a esplenectomia era a conduta padrão, mas o reconhecimento da importância imunológica do baço levou a uma mudança de paradigma para o tratamento não operatório (TNO) sempre que possível. A decisão entre TNO e cirurgia é guiada principalmente pela estabilidade hemodinâmica do paciente. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização hemodinâmica. A tomografia computadorizada (TC) de abdome é o exame de escolha para estadiar a lesão esplênica em pacientes estáveis. A presença de líquido periesplênico ou laceração não contraindica o TNO se o paciente estiver estável e responder à ressuscitação volêmica. O TNO requer monitorização rigorosa em ambiente de UTI, com controle seriado de hemoglobina e exames físicos. A falha do TNO é indicada por instabilidade hemodinâmica persistente, necessidade de transfusões maciças ou sinais de peritonite. Residentes devem estar aptos a identificar os critérios para TNO e para intervenção cirúrgica, visando preservar o baço e evitar complicações pós-esplenectomia, como a sepse fulminante.
O TNO é indicado para pacientes com trauma esplênico que estão hemodinamicamente estáveis, sem sinais de irritação peritoneal difusa e sem outras lesões abdominais que exijam cirurgia.
Sinais de instabilidade incluem hipotensão persistente (PA < 90 mmHg), taquicardia (> 120 bpm), má perfusão periférica, alteração do nível de consciência e ausência de resposta à reposição volêmica inicial.
Os riscos incluem falha do TNO (necessidade de cirurgia posterior por sangramento contínuo ou instabilidade), sangramento tardio e, em casos raros, formação de pseudoaneurismas ou fístulas.
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