Trauma Esplênico com Blush: Embolização Arterial como Conduta

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 45 anos, vítima de queda de andaime, é atendido no serviço de urgência. A tomografia de corpo inteiro mostra trauma esplênico, com extravasamento de contraste na fase arterial (blush). O paciente não tem outras lesões, a não ser fratura fechada de ambos os antebraços, com boa perfusão e pulsos distais normais. Glasgow 15, pulso: 102 bpm, PA: 100  75 mmHg, saturação de oxigênio em ar ambiente: 95%, tempo de enchimento capilar: 3 segundos. Recebeu já 1 litro de soro fisiológico aquecido. Intervenção indicada, em havendo disponibilidade de todos os recursos:

Alternativas

  1. A) Embolização por arteriografia (radiologia intervencionista).
  2. B) Laparoscopia para avaliar melhor o sangramento esplênico e possível hemostasia.
  3. C) Esplenectomia por laparotomia.
  4. D) Observação em unidade de terapia intensiva, com controle seriado de hemoglobina.
  5. E) Sutura esplênica por laparotomia (operação com conservação do baço).

Pérola Clínica

Trauma esplênico com blush ativo na TC + estabilidade relativa = embolização arterial é a conduta preferencial.

Resumo-Chave

A presença de extravasamento de contraste arterial (blush) na tomografia computadorizada em um paciente com trauma esplênico indica sangramento ativo. Se o paciente não estiver em choque refratário, a embolização por arteriografia é a intervenção de escolha, pois permite o controle do sangramento e a conservação do baço, evitando os riscos da esplenectomia e suas complicações a longo prazo.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é uma das lesões de órgãos sólidos mais comuns em traumas abdominais contusos. O manejo tem evoluído significativamente nas últimas décadas, com uma forte tendência à conservação do baço sempre que possível, devido à sua importante função imunológica. A tomografia computadorizada com contraste é o exame padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento das lesões esplênicas, e a presença de extravasamento de contraste arterial (o 'blush') é um achado crítico. O 'blush' indica sangramento ativo e é um preditor de falha do tratamento não operatório conservador. Nesses casos, a intervenção é necessária. Para pacientes hemodinamicamente estáveis ou que respondem à ressuscitação volêmica inicial, a embolização por arteriografia (radiologia intervencionista) tornou-se a conduta de escolha. Este procedimento minimamente invasivo permite o controle do sangramento ao ocluir seletivamente os vasos sangrantes, preservando o máximo possível do parênquima esplênico. Em contraste, a esplenectomia total é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica refratária à ressuscitação ou para lesões esplênicas maciças que não podem ser controladas por métodos menos invasivos. A laparoscopia pode ser útil para avaliação e, em alguns casos, para hemostasia de lesões menores, mas para sangramento ativo com blush, a embolização é mais eficaz. A observação em UTI com controle seriado de hemoglobina é apropriada para lesões sem sangramento ativo ou com sangramento autolimitado.

Perguntas Frequentes

O que significa o 'blush' na tomografia computadorizada em um trauma esplênico?

O 'blush' na tomografia computadorizada, especialmente na fase arterial, indica extravasamento ativo de contraste, o que significa sangramento ativo no local da lesão esplênica. É um sinal de lesão grave e um preditor de falha do tratamento não operatório se não houver intervenção.

Quando a embolização por arteriografia é a intervenção indicada para trauma esplênico?

A embolização é indicada para pacientes com trauma esplênico que apresentam sangramento ativo (blush na TC) e que estão hemodinamicamente estáveis ou respondem à ressuscitação inicial com fluidos. É a opção preferencial para controle do sangramento com conservação do baço.

Quais são as vantagens da conservação esplênica em comparação com a esplenectomia?

A conservação esplênica, seja por embolização ou sutura, é vantajosa porque preserva a função imunológica do baço, reduzindo o risco de sepse pós-esplenectomia (OPSI) e outras complicações infecciosas a longo prazo. Também evita os riscos cirúrgicos de uma laparotomia e esplenectomia.

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