HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022
Um paciente de 29 anos é atendido no pronto-socorro, vítima de ferimento por arma branca em dorso. Estável hemodinamicamente, a tomografia mostrou lesão esplênica grau I, sem blush, mas com pequena quantidade de líquido livre periesplênico. Qual deve ser a conduta?
Trauma esplênico grau I em paciente estável + FAB dorso → Laparoscopia para avaliação e possível tratamento.
Em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma abdominal penetrante, a laparoscopia diagnóstica é uma opção para avaliar a extensão da lesão, especialmente em casos de ferimentos por arma branca no dorso, onde a penetração na cavidade abdominal pode ser incerta e o manejo não operatório pode ser considerado para lesões de baixo grau.
O trauma esplênico é uma das lesões de órgão sólido mais comuns em traumas abdominais, tanto contusos quanto penetrantes. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização hemodinâmica. A classificação das lesões esplênicas é feita pela American Association for the Surgery of Trauma (AAST), variando de Grau I (lesões menores) a Grau V (lesões graves com fragmentação). Em pacientes hemodinamicamente estáveis com lesões esplênicas de baixo grau (como Grau I), o manejo não operatório (MNO) é frequentemente a conduta de escolha, com altas taxas de sucesso. No entanto, em casos de trauma penetrante, como ferimento por arma branca no dorso, a dúvida sobre a penetração peritoneal e a extensão exata da lesão pode persistir, mesmo com exames de imagem. A presença de líquido livre periesplênico, mesmo em pequena quantidade, levanta a suspeita de lesão. Nesse cenário, a laparoscopia diagnóstica e, se possível, terapêutica, emerge como uma opção valiosa. Ela permite confirmar a penetração peritoneal, avaliar a lesão esplênica e de outros órgãos, e em alguns casos, realizar hemostasia ou reparo. A laparoscopia evita uma laparotomia exploratória desnecessária, reduzindo morbidade, e é superior à observação isolada quando há incerteza sobre a extensão da lesão em um trauma penetrante.
A laparoscopia é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma abdominal penetrante, especialmente quando há dúvida sobre a penetração peritoneal ou a extensão da lesão, permitindo uma avaliação diagnóstica e, por vezes, terapêutica.
A estabilidade hemodinâmica é crucial. Pacientes instáveis exigem laparotomia exploratória imediata. Pacientes estáveis, mesmo com lesões de órgãos sólidos, podem ser candidatos a manejo não operatório ou a procedimentos minimamente invasivos como a laparoscopia.
"Blush" na tomografia com contraste indica extravasamento ativo de contraste, sugerindo sangramento contínuo. Sua ausência, como no caso, é um fator favorável para o manejo não operatório, mas a presença de líquido livre ainda requer investigação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo