Trauma Esplênico Grau I: Conduta em Paciente Estável

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 29 anos é atendido no pronto-socorro, vítima de ferimento por arma branca em dorso. Estável hemodinamicamente, a tomografia mostrou lesão esplênica grau I, sem blush, mas com pequena quantidade de líquido livre periesplênico. Qual deve ser a conduta?

Alternativas

  1. A) Laparotomia para esplenectomia.
  2. B) Arteriografia para possível embolização.
  3. C) Observação em unidade de terapia intensiva, com controle seriado de hemoglobina.
  4. D) Tomografia com contraste por via retal.
  5. E) Laparoscopia.

Pérola Clínica

Trauma esplênico grau I em paciente estável + FAB dorso → Laparoscopia para avaliação e possível tratamento.

Resumo-Chave

Em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma abdominal penetrante, a laparoscopia diagnóstica é uma opção para avaliar a extensão da lesão, especialmente em casos de ferimentos por arma branca no dorso, onde a penetração na cavidade abdominal pode ser incerta e o manejo não operatório pode ser considerado para lesões de baixo grau.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é uma das lesões de órgão sólido mais comuns em traumas abdominais, tanto contusos quanto penetrantes. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização hemodinâmica. A classificação das lesões esplênicas é feita pela American Association for the Surgery of Trauma (AAST), variando de Grau I (lesões menores) a Grau V (lesões graves com fragmentação). Em pacientes hemodinamicamente estáveis com lesões esplênicas de baixo grau (como Grau I), o manejo não operatório (MNO) é frequentemente a conduta de escolha, com altas taxas de sucesso. No entanto, em casos de trauma penetrante, como ferimento por arma branca no dorso, a dúvida sobre a penetração peritoneal e a extensão exata da lesão pode persistir, mesmo com exames de imagem. A presença de líquido livre periesplênico, mesmo em pequena quantidade, levanta a suspeita de lesão. Nesse cenário, a laparoscopia diagnóstica e, se possível, terapêutica, emerge como uma opção valiosa. Ela permite confirmar a penetração peritoneal, avaliar a lesão esplênica e de outros órgãos, e em alguns casos, realizar hemostasia ou reparo. A laparoscopia evita uma laparotomia exploratória desnecessária, reduzindo morbidade, e é superior à observação isolada quando há incerteza sobre a extensão da lesão em um trauma penetrante.

Perguntas Frequentes

Quando a laparoscopia é indicada em trauma abdominal penetrante?

A laparoscopia é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma abdominal penetrante, especialmente quando há dúvida sobre a penetração peritoneal ou a extensão da lesão, permitindo uma avaliação diagnóstica e, por vezes, terapêutica.

Qual o papel da estabilidade hemodinâmica na decisão de conduta em trauma esplênico?

A estabilidade hemodinâmica é crucial. Pacientes instáveis exigem laparotomia exploratória imediata. Pacientes estáveis, mesmo com lesões de órgãos sólidos, podem ser candidatos a manejo não operatório ou a procedimentos minimamente invasivos como a laparoscopia.

O que significa "blush" na tomografia em trauma esplênico?

"Blush" na tomografia com contraste indica extravasamento ativo de contraste, sugerindo sangramento contínuo. Sua ausência, como no caso, é um fator favorável para o manejo não operatório, mas a presença de líquido livre ainda requer investigação.

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