Manejo do Trauma Esplênico Grau III em Pacientes Estáveis

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 27 anos, vítima de ferimento por arma branca em hipocôndrio esquerdo, chega ao pronto-socorro estável hemodinamicamente, com dor localizada. FAST mostra líquido livre em moderada quantidade. Tomografia de abdome com contraste: lesão esplênica grau III (laceração >3 cm sem envolvimento hilar). Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Laparotomia imediata com esplenectomia.
  2. B) Observação exclusiva sem monitorização.
  3. C) Tratamento não operatório com monitorização em UTI e possibilidade de embolização arterial se sangramento ativo.
  4. D) Alta hospitalar imediata por estabilidade clínica.

Pérola Clínica

Estabilidade hemodinâmica + ausência de peritonite → Tratamento Não Operatório (TNO) no trauma esplênico.

Resumo-Chave

Em pacientes hemodinamicamente estáveis com lesão esplênica isolada (mesmo grau III), a prioridade é a preservação do órgão via TNO para evitar complicações pós-esplenectomia.

Contexto Educacional

O manejo do trauma esplênico evoluiu significativamente nas últimas décadas, migrando da esplenectomia rotineira para a preservação do órgão sempre que possível. O baço desempenha funções imunológicas cruciais, e sua remoção predispõe o paciente à sepse fulminante pós-esplenectomia (OPSI). A classificação da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) ajuda a graduar a lesão, mas a decisão clínica é guiada primariamente pela fisiologia do paciente. No caso de ferimentos penetrantes (como arma branca) em hipocôndrio esquerdo, a estabilidade hemodinâmica permite a realização de TC para avaliar a profundidade da lesão. Se a lesão for parenquimatosa isolada e o paciente estiver estável, o TNO com vigilância em UTI é a conduta padrão, reservando a laparotomia para casos de peritonite ou choque refratário.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios de inclusão para o tratamento não operatório (TNO) no trauma esplênico?

Os critérios fundamentais incluem estabilidade hemodinâmica (ou resposta rápida à reposição volêmica), ausência de sinais de irritação peritoneal ao exame físico e a capacidade de realizar monitorização contínua em ambiente de terapia intensiva com acesso rápido a centro cirúrgico e hemoterapia. A gravidade da lesão na TC (Graus I a V) não é mais uma contraindicação absoluta isolada para o TNO, desde que o paciente permaneça estável.

Qual o papel da angioembolização no trauma esplênico?

A angioembolização é uma ferramenta adjunta ao TNO, indicada principalmente quando há evidência de extravasamento de contraste (blush arterial) na tomografia computadorizada em pacientes estáveis, ou na presença de pseudoaneurismas e fístulas arteriovenosas. Ela aumenta as taxas de sucesso da preservação esplênica, reduzindo a necessidade de intervenção cirúrgica tardia por ressangramento.

Quando interromper o TNO e partir para a cirurgia?

A falha do tratamento não operatório é sinalizada pela instabilidade hemodinâmica persistente ou recorrente, queda significativa e inexplicada dos níveis de hemoglobina, surgimento de sinais de peritonite ou evidência de outras lesões viscerais associadas que exijam reparo cirúrgico. Cerca de 90% das falhas ocorrem nas primeiras 72 horas após o trauma.

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