Trauma Esplênico: Classificação AAST e Conduta Cirúrgica

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 15 anos, sexo feminino, vítima de queda de bicicleta em via pública, é conduzida por ambulância à unidade hospitalar com suporte para atendimento ao paciente politraumatizado. No momento da admissão apresenta-se consciente e orientada com queixa de dor abdominal. Ao exame físico: visualizado hematoma em hipocôndrio esquerdo. Após atendimento inicial foi submetida ao exame de tomografia computadorizada, o qual demonstrou laceração de vasos hilares do baço, produzindo desvascularização de aproximadamente 50%. Dentre as alternativas, qual descreve o grau dessa lesão do baço, de acordo com a Escala para Lesões de Órgãos da Associação Americana de Cirurgia do Trauma e um possível tratamento médico a ser utilizado?

Alternativas

  1. A) Grau da lesão II com indicação de tratamento não operatório em enfermaria.
  2. B) Grau da lesão III com indicação de tratamento operatório e realização de esplenectomia.
  3. C) Grau da lesão IV com indicação de tratamento operatório e realização de esplenectomia.
  4. D) Grau da lesão V com indicação de tratamento não operatório em Unidade de Terapia Intensiva.

Pérola Clínica

Lesão esplênica Grau IV (AAST) = laceração com desvascularização >25% ou lesão hilar com desvascularização segmentar/polar → esplenectomia.

Resumo-Chave

A classificação da lesão esplênica pela AAST (American Association for the Surgery of Trauma) é crucial para definir a conduta. Lesões de alto grau, como a Grau IV com desvascularização significativa ou lesão hilar, geralmente requerem tratamento cirúrgico, frequentemente a esplenectomia, devido ao risco de sangramento incontrolável e instabilidade hemodinâmica.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é uma das lesões de órgão sólido mais comuns em traumas abdominais fechados, especialmente em crianças e adolescentes. A avaliação inicial de um paciente politraumatizado segue o protocolo ATLS, com foco na estabilização hemodinâmica. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de escolha para classificar a lesão e guiar a conduta, sendo a escala AAST fundamental para essa estratificação. A decisão entre tratamento não operatório e cirúrgico depende do grau da lesão, da estabilidade hemodinâmica do paciente e da presença de outras lesões associadas. A fisiopatologia das lesões esplênicas varia desde hematomas subcapsulares e lacerações parenquimatosas até lesões vasculares hilares que podem levar à desvascularização significativa do órgão. A desvascularização de mais de 25% do baço ou o comprometimento dos vasos hilares são critérios para lesões de alto grau (Grau IV ou V), que frequentemente exigem intervenção cirúrgica devido ao risco de sangramento maciço e instabilidade. A suspeita deve ser alta em pacientes com dor em hipocôndrio esquerdo, hematoma ou sinais de choque hipovolêmico após trauma abdominal. O tratamento pode variar desde observação em UTI com monitorização rigorosa para lesões de baixo grau em pacientes estáveis, até a esplenectomia total para lesões de alto grau ou instabilidade hemodinâmica. A preservação do baço é sempre desejável devido à sua função imunológica, mas nem sempre é possível. A esplenectomia exige vacinação pós-operatória contra germes encapsulados e, em alguns casos, profilaxia antibiótica, especialmente em crianças, para prevenir a sepse fulminante pós-esplenectomia (OPSI).

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma lesão esplênica Grau IV na escala AAST?

Uma lesão esplênica Grau IV pela escala AAST é caracterizada por laceração que envolve vasos segmentares ou hilares, resultando em desvascularização de mais de 25% do parênquima esplênico, ou qualquer laceração parenquimatosa que envolva vasos segmentares ou hilares com desvascularização maior que 25% do baço.

Quando a esplenectomia é indicada em casos de trauma esplênico?

A esplenectomia é indicada em casos de trauma esplênico com instabilidade hemodinâmica persistente, lesões de alto grau (Grau IV ou V) com sangramento incontrolável, lesões hilares complexas, ou quando o tratamento não operatório falha. A desvascularização significativa do baço é um forte indicativo de necessidade cirúrgica.

Quais são os riscos da esplenectomia em pacientes jovens?

Em pacientes jovens, a esplenectomia aumenta o risco de sepse pós-esplenectomia (OPSI), especialmente por bactérias encapsuladas como Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo b e Neisseria meningitidis. Por isso, a vacinação adequada e a profilaxia antibiótica são cruciais após o procedimento.

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