FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024
Paciente vítima de acidente motociclístico ocorrido há duas horas, apresenta trauma abdominal contuso. Tomografia de abdômen revelou lesão no polo superior do baço, grau III, moderada quantidade de líquido livre na cavidade e pequeno extravasamento de contraste. À admissão, encontrava-se bem, sem queixas e estável, do ponto de vista hemodinâmico. Qual a conduta mais adequada a ser tomada diante do caso?
Trauma esplênico com extravasamento ativo e estabilidade hemodinâmica → Angioembolização.
Em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma esplênico de alto grau (III-V) e evidência de sangramento ativo (extravasamento de contraste), a angioembolização da artéria esplênica é a conduta preferencial para preservar o órgão e evitar a laparotomia, reduzindo riscos de infecção.
O trauma abdominal contuso, especialmente o que afeta o baço, é uma causa comum de morbidade e mortalidade em vítimas de acidentes. A lesão esplênica é a mais frequente entre os órgãos sólidos abdominais. A classificação do trauma esplênico, geralmente pela escala da AAST (American Association for the Surgery of Trauma), orienta a conduta, sendo o grau III uma lesão significativa. A presença de líquido livre e, mais criticamente, o extravasamento de contraste, indicam sangramento ativo. A decisão entre tratamento operatório e não-operatório depende primariamente da estabilidade hemodinâmica do paciente. Pacientes hemodinamicamente instáveis com sangramento ativo requerem laparotomia exploradora imediata. No entanto, para pacientes hemodinamicamente estáveis, como no caso descrito, o tratamento não-operatório é a abordagem preferencial para preservar o baço, dado seu papel imunológico vital. A angioembolização da artéria esplênica surge como uma ferramenta fundamental no tratamento não-operatório de lesões esplênicas com sangramento ativo (extravasamento de contraste) ou pseudoaneurismas em pacientes estáveis. Ela permite o controle do sangramento de forma minimamente invasiva, aumentando as chances de sucesso do tratamento conservador e reduzindo a necessidade de esplenectomia, com seus riscos associados, como a sepse pós-esplenectomia. O acompanhamento clínico e tomográfico é essencial para monitorar a evolução.
Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, ausência de outras lesões abdominais que exijam cirurgia, e a capacidade de monitorar o paciente de perto em um ambiente hospitalar com recursos para intervenção imediata, se necessário.
A angioembolização é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com lesões esplênicas de alto grau (III-V), presença de extravasamento ativo de contraste na tomografia, pseudoaneurismas ou fístulas arteriovenosas, visando controlar o sangramento e preservar o baço.
A preservação do baço é crucial devido ao seu papel imunológico, especialmente na defesa contra bactérias encapsuladas. A esplenectomia aumenta o risco de sepse fulminante pós-esplenectomia (OPSI), tornando a preservação do órgão uma prioridade sempre que clinicamente viável.
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