FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022
Paciente, vítima de colisão carro x carro, apresenta-se com forte dor abdominal, Escala de Coma de Glasgow=15, estável hemodinamicamente. A angiotomografia computadorizada de abdome revela trauma esplênico grau 2, com hematoma periesplênico. A radiografia de tórax denota fratura de 2 arcos costais à esquerda. Hemoglobina sérica encontra-se estável há 6 horas. Qual deve ser a conduta terapêutica frente ao caso descrito?
Trauma esplênico (grau 2) + Hemodinamicamente estável + Hb estável → Tratamento conservador.
Em pacientes com trauma esplênico de baixo grau (I-III) que estão hemodinamicamente estáveis e sem sinais de sangramento ativo ou deterioração, o tratamento conservador com observação e suporte clínico é a conduta preferencial, com altas taxas de sucesso.
O trauma esplênico é a lesão de órgão sólido mais comum em traumas abdominais fechados. Historicamente, a esplenectomia era a conduta padrão, mas avanços no diagnóstico por imagem e na compreensão da fisiopatologia levaram a uma mudança de paradigma para o tratamento conservador, especialmente em pacientes hemodinamicamente estáveis. A decisão entre tratamento cirúrgico e conservador é guiada principalmente pela estabilidade hemodinâmica do paciente. Um paciente com Escala de Coma de Glasgow de 15, pressão arterial e frequência cardíaca estáveis, boa saturação e hemoglobina estável por horas, mesmo com um trauma esplênico (grau 2, com hematoma periesplênico), é considerado hemodinamicamente estável. A angiotomografia computadorizada é crucial para classificar o grau da lesão e identificar sangramentos ativos. Para traumas esplênicos de graus I a III (e, em alguns centros, até graus mais altos) em pacientes estáveis, o tratamento conservador (observação rigorosa, repouso no leito, monitorização seriada da hemoglobina e exames físicos) é a conduta de escolha. A falha do tratamento conservador, indicada por instabilidade hemodinâmica, necessidade crescente de transfusões ou sinais de sangramento contínuo, levaria à intervenção (embolização angiográfica ou cirurgia). A preservação do baço é importante devido à sua função imunológica.
O tratamento conservador é indicado para pacientes com trauma esplênico de qualquer grau que estejam hemodinamicamente estáveis, sem sinais de sangramento ativo contínuo e sem outras lesões abdominais que exijam cirurgia.
Estabilidade hemodinâmica é definida por pressão arterial e frequência cardíaca normais ou próximas do normal, boa perfusão periférica, e ausência de necessidade de transfusões sanguíneas contínuas ou rápida deterioração.
Benefícios incluem evitar cirurgia, preservar a função imunológica do baço e menor morbidade. Os riscos são a falha do tratamento conservador (sangramento tardio) e a necessidade de intervenção posterior, exigindo observação rigorosa.
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