Trauma Esplênico Estável: Tratamento Não Operatório

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 30 anos deu entrada na Emergência de um Hospital de Referência em Trauma, por trauma abdominal fechado em hipocôndrio e flanco esquerdos por objeto rombo. Estável hemodinamicamente. Após atendimento inicial, segundo os preceitos do Advanced Trauma Life Support (ATLS®), em que os demais segmentos do corpo estavam sem lesões, foi indicada tomografia de abdome com contraste IV, que revelou um hematoma subcapsular esplênico, não expansivo, área de superfície de 15%; intraparenquimatoso, de 1,5 cm de diâmetro; e uma laceração na cápsula esplênica, com sangramento ativo, 2 cm de profundidade no parênquima que não envolve vasos trabeculares. Ausência de outras lesões abdominais. Taxas de hematócrito e hemoglobina estáveis. Nessa situação, a abordagem mais indicada, atualmente, é:

Alternativas

  1. A) sutura da laceração por laparotomia.
  2. B) esplenectomia subtotal.
  3. C) tratamento não operatório.
  4. D) angiografia com embolização da artéria esplênica.
  5. E) esplenectomia total.

Pérola Clínica

Trauma esplênico com estabilidade hemodinâmica e sangramento ativo contido → tratamento não operatório (TNO) é a conduta preferencial.

Resumo-Chave

A estabilidade hemodinâmica é o principal critério para o tratamento não operatório (TNO) no trauma esplênico, mesmo na presença de sangramento ativo contido ou lesões de alto grau. O TNO visa preservar o baço e suas funções imunológicas.

Contexto Educacional

O trauma esplênico é a lesão de órgão sólido abdominal mais comum em traumas fechados. A abordagem inicial segue os preceitos do ATLS, com foco na estabilização hemodinâmica. A decisão entre tratamento operatório e não operatório é um pilar fundamental no manejo moderno do trauma. A estabilidade hemodinâmica é o fator mais crítico para indicar o tratamento não operatório (TNO), independentemente do grau da lesão esplênica ou da presença de sangramento ativo na tomografia, desde que este seja contido e o paciente permaneça estável. A tomografia computadorizada com contraste intravenoso é o exame de imagem de escolha para avaliar a extensão da lesão esplênica e identificar outros achados abdominais. A presença de hematoma subcapsular, laceração parenquimatosa e até mesmo sangramento ativo (extravasamento de contraste) não contraindica automaticamente o TNO se o paciente estiver hemodinamicamente estável. A classificação das lesões esplênicas (AAST) ajuda a graduar a lesão, mas a conduta é primariamente guiada pela condição clínica do paciente. O tratamento não operatório visa preservar o baço, um órgão vital para a função imunológica, prevenindo complicações como a sepse pós-esplenectomia (OPSI). O TNO requer monitorização intensiva do paciente, com exames físicos seriados e controle de hemoglobina/hematócrito. Em casos de falha do TNO (instabilidade hemodinâmica, necessidade transfusional contínua), a intervenção cirúrgica (esplenectomia ou esplenorrafia) ou angiografia com embolização seletiva podem ser necessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o tratamento não operatório (TNO) no trauma esplênico?

Os critérios principais para o TNO incluem estabilidade hemodinâmica, ausência de outras lesões abdominais que exijam cirurgia e a capacidade de monitorar o paciente de perto em ambiente hospitalar.

O que significa "sangramento ativo" na tomografia e como isso afeta a conduta?

Sangramento ativo na TC (extravasamento de contraste) indica lesão vascular. Embora seja um achado de gravidade, em pacientes hemodinamicamente estáveis, o TNO ainda é possível, muitas vezes com observação rigorosa ou embolização angiográfica seletiva.

Quais são os benefícios de preservar o baço após um trauma?

Preservar o baço é crucial devido às suas funções imunológicas, como a produção de anticorpos e a remoção de bactérias encapsuladas, prevenindo a sepse pós-esplenectomia (OPSI), uma complicação grave.

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