Trauma Duodenopancreático: Manejo Cirúrgico e Suporte

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023

Enunciado

Assinale V (VERDADEIRO) ou F (FALSO) quanto ao tratamento do trauma duodenopancreático.(   ) Toda vez que se suspeita de comprometimento do duodeno, deve ser realizada a manobra de Kocher, que consiste na secção do peritônio lateral ao duodeno e na sua mobilização medial, permitindo acesso anterior ao duodeno e deslocando-o para a direita do corpo.(   ) Quando há lesão complexa da cabeça ou do duodeno, a duodenopancreatectomia com preservação do corpo e cauda do pâncreas se impõe, principalmente se o paciente apresentar estabilidade hemodinâmica.(   ) O tratamento conservador do trauma pancreático, que pode ser tentado mesmo com lesão ductal, apresenta tempo de internação inferior ao do tratamento cirúrgico e requer nutrição parenteral total.(   ) Sempre que possível deve-se reparar anatomicamente o duodeno, desbridando as áreas avasculares e procedendo à sutura primária, com drenagem sentinela local. Jejunostomia alimentar ou passagem de sonda enteral pós Treitz para suporte nutricional são manobras prudentes de serem realizadas nesses casos.A sequência correta é: 

Alternativas

  1. A) F – F – V – V.
  2. B) F – V – F – V.
  3. C) V – F – V – F.
  4. D) F – V – V – F.

Pérola Clínica

Trauma duodenopancreático: Manobra de Kocher mobiliza duodeno para ESQUERDA; Jejunostomia/sonda pós-Treitz para suporte nutricional.

Resumo-Chave

A manobra de Kocher, essencial no trauma duodenal, permite a mobilização do duodeno para a esquerda, expondo sua face posterior. Em lesões complexas, a duodenopancreatectomia pode ser necessária, e o suporte nutricional com jejunostomia ou sonda pós-Treitz é crucial.

Contexto Educacional

O trauma duodenopancreático é uma lesão grave e complexa, frequentemente associada a traumas abdominais contusos ou penetrantes. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais devido ao alto risco de morbimortalidade, incluindo fístulas, abscessos e sepse. A avaliação inicial deve seguir os princípios do ATLS, com estabilização hemodinâmica e investigação da extensão das lesões. A manobra de Kocher é um passo fundamental na exploração cirúrgica do duodeno e cabeça do pâncreas, permitindo a visualização de lesões retroperitoneais que de outra forma seriam ocultas. A correta mobilização do duodeno para a esquerda é essencial para uma inspeção completa. O tratamento varia desde a sutura primária e drenagem para lesões menores até procedimentos mais complexos como a duodenopancreatectomia (Whipple) para lesões destrutivas da cabeça do pâncreas e duodeno, sempre que a condição hemodinâmica do paciente permitir. O suporte nutricional é um pilar no pós-operatório desses pacientes, que frequentemente necessitam de repouso intestinal prolongado. A jejunostomia alimentar ou a passagem de sonda enteral pós-Treitz são estratégias prudentes para garantir a nutrição e evitar complicações relacionadas à desnutrição. O tratamento conservador do trauma pancreático, embora possível em casos selecionados (sem lesão ductal principal), geralmente exige um tempo de internação mais longo e monitoramento rigoroso, ao contrário do que a alternativa falsa sugere.

Perguntas Frequentes

Qual a finalidade e como é realizada a manobra de Kocher no trauma duodenal?

A manobra de Kocher é realizada para inspecionar a face posterior do duodeno e a cabeça do pâncreas. Consiste na incisão do peritônio lateral ao duodeno e sua mobilização medial, deslocando-o para a esquerda, permitindo a visualização de estruturas retroperitoneais.

Quando a duodenopancreatectomia é indicada no trauma duodenopancreático?

A duodenopancreatectomia é indicada em lesões complexas da cabeça do pâncreas e/ou duodeno, especialmente quando há destruição significativa do ducto pancreático principal ou lesões vasculares graves, e o paciente apresenta estabilidade hemodinâmica.

Por que o suporte nutricional é tão importante no trauma duodenopancreático?

Lesões duodenais e pancreáticas frequentemente comprometem a digestão e absorção, além de exigirem repouso intestinal para cicatrização. A jejunostomia alimentar ou sonda pós-Treitz garante o suporte nutricional adequado, prevenindo desnutrição e otimizando a recuperação.

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