SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 25 anos de idade, é trazido pelo SAMU ao Pronto-Socorro, vítima de atropelamento háuma hora. O paciente dá entrada referindo dor abdominal difusa e alguns episódios de vômitos.No exame inicial, A: Via aérea pérvia, SatO2: 97% com cateter de O2: 15 L/min; B: murmúriosvesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios, FR: 20 ipm; C: Bulhas rítmicas enormofonéticas, FC: 92 bpm, PA: 118x68 mmHg, dor abdominal difusa, com descompressão bruscapositiva, pelve estável e toque retal sem alterações; D: escala de coma de Glasgow: 15, pupilasisocóricas e fotorreagentes; E: presença de escoriações em tronco e extremidades. O paciente foisubmetido à laparotomia exploradora.\n\nQuanto ao tratamento cirúrgico do trauma de duodeno, é correto o que se afirma em:
Desvascularização da 2ª/3ª porção duodenal no trauma → Indicação de Duodenopancreatectomia (Whipple).
Lesões duodenais graves com comprometimento vascular extenso ou destruição da cabeça do pâncreas exigem a duodenopancreatectomia como procedimento de salvamento.
O trauma duodenal é um desafio cirúrgico devido à localização retroperitoneal da víscera, sua íntima relação com a cabeça do pâncreas e o suprimento sanguíneo compartilhado. A maioria das lesões duodenais (cerca de 75-85%) pode ser tratada com desbridamento e sutura primária. No entanto, lesões complexas (Grau IV e V da AAST) exigem táticas mais agressivas.\n\nA duodenopancreatectomia de emergência é reservada para situações onde a reconstrução simples é impossível, como na desvascularização extensa ou esmagamento da ampola de Vater. Devido ao estado crítico do paciente traumatizado (tríade letal), muitas vezes opta-se pelo controle de danos inicial, com a reconstrução definitiva postergada. A compreensão da anatomia vascular, especialmente da arcada pancreatoduodenal, é essencial para decidir entre o reparo local e a ressecção radical.
A duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) é indicada em traumas abdominais raros e extremamente graves que envolvem a destruição maciça da cabeça do pâncreas, lesões combinadas ductais e duodenais irreparáveis, ou desvascularização completa da segunda e terceira porções do duodeno. É um procedimento de alta complexidade com elevada morbimortalidade.
A exclusão pilórica é uma técnica cirúrgica utilizada para tratar lesões duodenais complexas. Consiste no fechamento do piloro (geralmente por grampeamento ou sutura interna via gastrotomia) associado a uma gastrojejunostomia. O objetivo é desviar o trânsito gástrico do duodeno lesionado, permitindo que a sutura duodenal cicatrize sem a passagem constante de quimo.
O duodeno é uma estrutura majoritariamente retroperitoneal. Lesões isoladas podem não apresentar sinais claros de peritonite inicialmente, e o líquido duodenal extravasado pode ficar contido no espaço retroperitoneal. Isso pode levar a um atraso diagnóstico se não houver alto índice de suspeição ou exames de imagem adequados (como TC com contraste oral).
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