SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 25 anos de idade, é trazido pelo SAMU ao Pronto-Socorro, vítima de atropelamento háuma hora. O paciente dá entrada referindo dor abdominal difusa e alguns episódios de vômitos.No exame inicial, A: Via aérea pérvia, SatO2: 97% com cateter de O2: 15 L/min; B: murmúriosvesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios, FR: 20 ipm; C: Bulhas rítmicas enormofonéticas, FC: 92 bpm, PA: 118x68 mmHg, dor abdominal difusa, com descompressão bruscapositiva, pelve estável e toque retal sem alterações; D: escala de coma de Glasgow: 15, pupilasisocóricas e fotorreagentes; E: presença de escoriações em tronco e extremidades. O paciente foisubmetido à laparotomia exploradora. Indique, de acordo com a Associação Americana de Cirurgia do Trauma, o grau da lesão desse paciente, tendo em vista que foi constatada laceração com perfuração, acometendo 90% da circunferência da segunda porção duodenal:
Laceração > 75% da circunferência da 2ª porção duodenal = Lesão Grau IV (AAST).
A classificação da AAST para trauma duodenal define o Grau IV como lacerações que envolvem mais de 75% da circunferência da segunda porção ou que atingem a ampola/ducto biliar distal.
O trauma duodenal é relativamente raro devido à sua localização retroperitoneal protegida, mas apresenta alta morbimortalidade quando ocorre. A segunda porção do duodeno é particularmente desafiadora para o cirurgião de trauma, pois abriga a papila maior (ampola de Vater), onde desembocam os ductos biliar e pancreático. A classificação da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) é a ferramenta padrão para graduar essas lesões e guiar a decisão cirúrgica. Lesões de Grau I e II geralmente permitem reparo primário simples. Lesões de Grau III e IV indicam danos circunferenciais extensos que podem comprometer a viabilidade do órgão ou a drenagem biliar, exigindo técnicas de descompressão ou derivação para proteger a sutura duodenal do conteúdo gástrico e biliar altamente corrosivo.
A lesão de Grau III envolve uma laceração que compromete entre 50% e 100% da circunferência das porções D1, D3 ou D4 do duodeno, OU entre 50% e 75% da circunferência da porção D2 (porção descendente).
De acordo com a escala da American Association for the Surgery of Trauma (AAST), qualquer laceração que envolva mais de 75% da circunferência da segunda porção duodenal (D2) é classificada como Grau IV. Isso ocorre devido à complexidade técnica do reparo e ao alto risco de envolvimento da ampola de Vater ou do suprimento vascular compartilhado com o pâncreas.
Lesões Grau IV são complexas e frequentemente requerem procedimentos cirúrgicos avançados, como a exclusão pilórica com gastrojejunostomia ou, em casos extremos de desvascularização ou destruição maciça do complexo duodenopancreático, a duodenopancreatectomia (operação de Whipple) de urgência, embora esta última seja evitada sempre que possível no trauma agudo.
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