CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Em relação ao trauma cranioencefálico (TCE) e sua abordagem inicial, assinale a alternativa correta:
TCE grave (Glasgow ≤ 8) + TC alterada → Monitorização da Pressão Intracraniana (PIC) indicada.
A monitorização da PIC é essencial no TCE grave para guiar o tratamento da hipertensão intracraniana e garantir a pressão de perfusão cerebral, evitando lesões secundárias.
O manejo do Trauma Cranioencefálico (TCE) foca na prevenção da lesão cerebral secundária, que ocorre após o impacto inicial devido a hipóxia, hipotensão, hipertermia e hipertensão intracraniana. A monitorização da PIC permite o cálculo da Pressão de Perfusão Cerebral (PPC = PAM - PIC), sendo o alvo terapêutico geralmente mantido entre 60-70 mmHg. No atendimento inicial, a manutenção da estabilidade hemodinâmica (PAS > 100-110 mmHg dependendo da idade) e a oxigenação adequada são tão vitais quanto a intervenção neurocirúrgica. A tomografia de crânio é o exame de escolha para identificar lesões com efeito de massa que exijam drenagem cirúrgica imediata, mas a monitorização invasiva em ambiente de UTI é o que permite o ajuste fino de terapias osmóticas (manitol ou salina hipertônica) e sedação.
Segundo o Brain Trauma Foundation, a monitorização da pressão intracraniana (PIC) é indicada em pacientes com TCE grave (Escala de Coma de Glasgow de 3 a 8 após ressuscitação) que apresentam uma tomografia computadorizada (TC) de crânio anormal (presença de hematomas, contusões, edema ou cisternas da base comprimidas). Também é indicada em pacientes com TCE grave e TC normal se apresentarem dois ou mais dos seguintes critérios: idade > 40 anos, postura motora uni ou bilateral (decorticação/descerebração) ou pressão arterial sistólica < 90 mmHg.
A hiperventilação reduz a PaCO2, o que provoca vasoconstrição das arteríolas cerebrais. Embora isso reduza o volume sanguíneo cerebral e, consequentemente, a pressão intracraniana, também reduz drasticamente o fluxo sanguíneo cerebral. Nas primeiras 24 horas após um TCE, o fluxo sanguíneo cerebral já está criticamente reduzido; a hiperventilação profilática pode levar a níveis de isquemia cerebral severa, transformando áreas de penumbra em infartos definitivos. Ela deve ser reservada apenas como medida de resgate temporária em sinais iminentes de herniação.
A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é a ferramenta padrão-ouro para a classificação da gravidade do TCE (Leve: 13-15, Moderado: 9-12, Grave: 3-8) e para a triagem inicial. Ela orienta decisões críticas, como a necessidade de intubação orotraqueal para proteção de via aérea em pacientes com ECG ≤ 8 e a indicação de exames de imagem imediatos. Embora a TC seja diagnóstica para lesões estruturais, a ECG fornece a correlação clínica necessária para o prognóstico e para a definição da intensidade do suporte intensivo.
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