IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2024
Um homem de 27 anos é levado ao pronto-socorro 35 minutos após se envolver em um acidente motociclístico em alta velocidade, na qual ele era um passageiro. Ele tem leucemia mieloide aguda e atualmente está recebendo quimioterapia. Na admissão, sua temperatura é de 36,5 ° C, o pulso é de 73 bpm, a respiração é de 11 irpm e a pressão arterial é de 100/60 mm Hg. As pupilas estão isofotorreagentes. Há hematomas na face, tronco e extremidades superiores e inferiores direitas. Há uma laceração de 4 cm na bochecha direita. Ele não responde a nenhum comando, mas geme. Estímulos dolorosos fazem com que ele abra os olhos e retire todas as extremidades. Há diminuição da ausculta pulmonar na base do pulmão direito, com dor à palpação sobre a parede torácica esquerda. O exame cardíaco não mostra anormalidades. O abdômen é pouco tenso e mostra sensibilidade difusa à palpação, com reação dolorosa, principalmente à descompressão. Há inchaço no cotovelo e no punho direito. A extremidade inferior direita é mais curta do que a extremidade inferior esquerda. Existem 2 lacerações de cerca de 2 cm na perna direita. O joelho direito está inchado. Qual das alternativas a seguir é a conduta imediata mais correta?
Politraumatizado com GCS ≤ 8 ou sinais de via aérea comprometida → Intubação orotraqueal imediata para proteção.
O paciente apresenta um escore de Glasgow de 9 (Abertura ocular à dor = 2, Resposta verbal com gemidos = 3, Resposta motora de retirada à dor = 4). Embora GCS 9 não seja estritamente ≤ 8, a presença de trauma de alta energia, hematomas na face, laceração na bochecha, e o fato de 'não responder a nenhum comando' e apenas 'gemer' sugerem um risco iminente de comprometimento da via aérea e/ou piora neurológica, especialmente em um paciente com comorbidades (leucemia e quimioterapia). A intubação precoce é a conduta mais segura para proteger a via aérea e garantir oxigenação e ventilação adequadas.
Pacientes vítimas de trauma de alta energia, como acidentes motociclísticos, são considerados politraumatizados e devem ser abordados sistematicamente seguindo os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS). A avaliação primária (ABCDE) é crucial, com foco na estabilização da via aérea (A), respiração (B) e circulação (C). Neste caso, o paciente apresenta um GCS de 9 (Abertura ocular à dor = 2, Resposta verbal com gemidos = 3, Retirada à dor = 4). Embora o GCS clássico para intubação seja ≤ 8, a presença de trauma facial, a incapacidade de seguir comandos, a condição de base (leucemia e quimioterapia, que podem afetar a coagulação e a resposta ao estresse) e o mecanismo de trauma de alta energia aumentam o risco de deterioração neurológica e comprometimento da via aérea. A intubação orotraqueal precoce é a conduta mais segura para proteger a via aérea, garantir oxigenação e ventilação adequadas e permitir uma avaliação diagnóstica e terapêutica mais aprofundada. Outras condutas como FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) ou drenagem torácica são importantes, mas vêm após a estabilização da via aérea e respiração. A tomografia computadorizada (TC) é um exame diagnóstico que deve ser realizado após a estabilização hemodinâmica e da via aérea.
A GCS é uma ferramenta essencial para avaliar o nível de consciência em pacientes traumatizados, auxiliando na identificação de lesão cerebral e na decisão sobre a necessidade de intubação orotraqueal para proteção da via aérea.
A intubação orotraqueal é classicamente indicada em pacientes com GCS ≤ 8, mas também deve ser considerada em casos de trauma facial grave, risco de aspiração, hipóxia, hipercapnia ou deterioração neurológica progressiva, mesmo com GCS > 8.
A não intubação em pacientes com TCE moderado a grave pode levar à hipoventilação, hipóxia e hipercapnia, que são fatores que agravam a lesão cerebral secundária e aumentam a mortalidade e morbidade.
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