TCE Pediátrico: Manejo da Hipertensão Intracraniana

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Um escolar de oito anos de idade foi vítima de acidente bicicleta x ônibus e recebeu o primeiro atendimento rapidamente e adequadamente no local do trauma. Foi levado ao serviço de emergência com Glasgow 8, já intubado, em ventilação mecânica, com expansibilidade simétrica e bilateral. Enquanto aguardava tomografia de crânio, evoluiu com FC de 66 bpm, PA de 170 x 100 mmHg, dilatação pupilar e postura flexora. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a medida que não deve ser considerada no momento.

Alternativas

  1. A) hiperventilação
  2. B) administração de FiO₂ a 100%
  3. C) manitol
  4. D) solução salina hipertônica a 3%
  5. E) metilprednisolona

Pérola Clínica

TCE grave com HIC → NÃO usar corticoides (Metilprednisolona).

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de hipertensão intracraniana (HIC) grave (tríade de Cushing, dilatação pupilar, postura flexora). Metilprednisolona (corticoides) não tem benefício comprovado e pode ser prejudicial no TCE, não devendo ser utilizada. As outras opções são medidas válidas para controle da HIC.

Contexto Educacional

O Trauma Cranioencefálico (TCE) é uma causa significativa de morbimortalidade em crianças. O manejo inicial adequado é crucial para otimizar o prognóstico neurológico. No caso apresentado, o paciente escolar com Glasgow 8, intubado, e que evolui com bradicardia, hipertensão arterial (tríade de Cushing), dilatação pupilar e postura flexora, apresenta um quadro clássico de hipertensão intracraniana (HIC) grave. O controle da HIC é a pedra angular do tratamento do TCE grave. As medidas incluem a manutenção de uma oxigenação e ventilação adequadas (FiO₂ a 100%, hiperventilação moderada e controlada para PaCO₂ entre 30-35 mmHg, se houver sinais de herniação), elevação da cabeceira a 30 graus, sedação e analgesia. Agentes osmóticos como o manitol (0,25-1 g/kg IV) ou a solução salina hipertônica a 3% (2-5 mL/kg IV) são utilizados para reduzir o edema cerebral e a pressão intracraniana. É fundamental ressaltar que o uso de corticoides, como a metilprednisolona, no tratamento do TCE grave não é recomendado. Grandes estudos, como o CRASH trial, demonstraram que os corticoides não apenas não melhoram o prognóstico, mas podem estar associados a um aumento da mortalidade e de complicações, como infecções e hemorragia gastrointestinal. Portanto, a metilprednisolona é uma medida que não deve ser considerada nesse cenário.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de hipertensão intracraniana (HIC) grave em um paciente pediátrico com TCE?

Os sinais de HIC grave incluem a tríade de Cushing (bradicardia, hipertensão arterial e irregularidade respiratória), alterações pupilares (dilatação, anisocoria), alteração do nível de consciência e posturas anormais (decorticação ou descerebração).

Por que a metilprednisolona não deve ser utilizada no manejo do TCE grave?

Estudos clínicos demonstraram que o uso de corticoides, como a metilprednisolona, em pacientes com TCE grave não confere benefício na redução da mortalidade ou melhora do prognóstico neurológico, podendo inclusive aumentar o risco de complicações.

Quais são as medidas iniciais para o controle da HIC em TCE pediátrico?

As medidas iniciais incluem otimização da oxigenação e ventilação (FiO₂ a 100%, hiperventilação controlada), elevação da cabeceira, sedação e analgesia, e uso de agentes osmóticos como manitol ou solução salina hipertônica a 3%.

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