TCE Pediátrico: Quando Indicar TC de Crânio em Lactentes

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Criança do sexo masculino de 2 meses de idade é trazida à unidade de emergência após cair da cama (1 metro de altura) há 30 minutos. Logo após a queda, começou a chorar, mas depois se acalmou. Apresentou 1 episódio de vômito, sem perda de consciência ou crises convulsivas. Ao exame físico, apresentava hematoma subgaleal parietal à esquerda, sem sinais de fratura de crânio palpável. Estava calmo, com escala de coma de Glasgow de 14, sem alterações neurológicas focais. Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?

Alternativas

  1. A) Solicitar uma tomografia computadorizada de crânio.
  2. B) Manter o paciente em observação neurológica.
  3. C) Solicitar uma radiografia simples de crânio.
  4. D) Alta hospitalar com orientação de retorno em caso de piora.
  5. E) Solicitar uma avaliação da neurocirurgia.

Pérola Clínica

Criança < 2 anos com TCE leve + vômito/hematoma subgaleal → TC de crânio.

Resumo-Chave

Em crianças < 2 anos com TCE, mesmo leve (Glasgow 14), a presença de vômitos ou hematoma subgaleal aumenta o risco de lesão intracraniana e justifica a realização de tomografia computadorizada de crânio.

Contexto Educacional

O trauma cranioencefálico (TCE) em crianças é uma preocupação comum na emergência, e a decisão de realizar uma tomografia computadorizada (TC) de crânio deve equilibrar o risco de lesão intracraniana com o risco de exposição à radiação. Em lactentes (< 2 anos), a avaliação é particularmente desafiadora devido à dificuldade na comunicação e à maior vulnerabilidade do cérebro em desenvolvimento. Para crianças menores de 2 anos com TCE, mesmo que o Glasgow seja alto (14-15), a presença de certos fatores de risco aumenta significativamente a probabilidade de lesão intracraniana clinicamente importante. Vômitos, especialmente se múltiplos, e a presença de hematoma subgaleal (exceto se pequeno e frontal) são sinais de alerta importantes. Outros fatores incluem alteração do estado mental, sinais de fratura de crânio palpável e mecanismo de trauma de alto risco. Nesse cenário, a conduta mais segura e recomendada, conforme diretrizes como as do PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network), é a realização de uma TC de crânio. Embora a observação neurológica seja uma opção para casos de muito baixo risco, a presença de vômito e hematoma subgaleal em um lactente de 2 meses após uma queda de 1 metro eleva o risco e justifica a imagem para descartar lesões que poderiam passar despercebidas clinicamente e ter consequências graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para lesão intracraniana em lactentes com TCE leve?

Fatores de risco incluem alteração do estado mental, vômitos múltiplos, hematoma subgaleal não frontal, sinais de fratura de crânio, mecanismo de trauma de alto risco e convulsões.

Quais critérios são utilizados para decidir sobre a realização de TC de crânio em crianças com TCE?

Os critérios de PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) são amplamente utilizados e estratificam o risco de lesão intracraniana clinicamente importante, guiando a decisão de realizar TC ou manter em observação.

Qual a importância do hematoma subgaleal em lactentes pós-TCE?

O hematoma subgaleal, especialmente se não for frontal, é um sinal de alerta em lactentes, pois pode indicar uma força de impacto significativa e está associado a um risco aumentado de fraturas de crânio e lesões intracranianas.

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