HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Criança de 2 anos e 3 meses é trazida pelos pais ao PS por queda de mesa de aproximadamente 1 m, há 20 minutos, com trauma occipital e sonolência breve. Negam síncope, vômitos ou estigma de crise convulsiva. No momento apresenta-se em bom estado geral, afebril, consciente e orientada, escala de Glasgow = 15, sem sinais meníngeas, com hematoma em região periorbital bilateral discreto, sem outras alterações ao exame físico geral e neurológico. Qual a conduta mais apropriada?
Hematoma periorbital bilateral após trauma craniano em criança = sinal de fratura de base de crânio → TC de crânio.
O hematoma periorbital bilateral (olhos de guaxinim) é um sinal clássico de fratura de base de crânio, mesmo na ausência de outros sinais neurológicos graves. Em crianças, a identificação desses sinais é crucial para indicar uma TC de crânio, apesar do Glasgow 15, devido ao alto risco de lesão intracraniana.
O Trauma Cranioencefálico (TCE) em crianças é uma causa comum de atendimento em emergências pediátricas. A avaliação deve ser minuciosa, pois as crianças podem apresentar sinais e sintomas atípicos ou menos evidentes de lesões graves. A presença de sonolência breve e, principalmente, o hematoma periorbital bilateral, são achados que demandam atenção. O hematoma periorbital bilateral, conhecido como "olhos de guaxinim", é um sinal clássico de fratura de base de crânio, que indica uma lesão de maior energia e potencial de complicações intracranianas, mesmo que o paciente esteja com Escala de Coma de Glasgow (ECG) plena. A fratura de base de crânio pode estar associada a lesões vasculares, nervosas e fístulas liquóricas. Diante de um TCE pediátrico com sinais de fratura de base de crânio, a Tomografia Computadorizada (TC) de crânio é a conduta mais apropriada para avaliar a extensão da fratura e descartar lesões intracranianas como hemorragias ou contusões. A decisão de realizar a TC deve ponderar o risco da radiação versus o benefício de identificar lesões graves, sendo que nesses casos de alto risco o benefício supera o risco.
Além do hematoma periorbital bilateral (olhos de guaxinim), outros sinais incluem sinal de Battle (equimose retroauricular), otorreia ou rinorreia de líquor, e hemotímpano.
A TC é indicada em casos de alto risco, como alteração do nível de consciência, sinais de fratura de base de crânio, convulsões pós-traumáticas, fontanela abaulada em lactentes, ou conforme critérios de escores como PECARN para risco intermediário/alto.
A sonolência breve pode ser um sinal de concussão ou de lesão intracraniana leve. Embora isoladamente possa não indicar TC, quando associada a outros sinais de risco, como fratura de base de crânio, aumenta a necessidade de investigação.
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