IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020
Pré-escolar de quatro anos sofreu queda da altura de um metro, há duas horas. Não perdeu a consciência, mas apresentou episódio único de vômito logo após a queda. Refere dor na região frontal direita, onde se observam edema e escoriação. Exame neurológico: consciente; Glasgow: 15; pupilas isocóricas; reflexo fotomotor preservado bilateralmente; motricidade ocular preservada; ausência de déficits motores ou sensoriais e de sinais de irritação meníngea. A conduta indicada é:
TCE leve pediátrico (Glasgow 15, vômito único, sem sinais focais) → Analgesia e alta com orientações.
Em crianças com trauma cranioencefálico leve (Glasgow 15), um episódio único de vômito isolado, sem outros sinais de alerta (como perda de consciência prolongada, sinais focais, alteração do nível de consciência), geralmente não indica lesão intracraniana grave e permite alta com orientações e observação domiciliar.
O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das causas mais comuns de atendimento em emergências pediátricas. A maioria dos TCEs em crianças é leve, e a avaliação cuidadosa é fundamental para identificar aqueles com risco de lesão intracraniana significativa, evitando exames desnecessários e exposição à radiação. A idade pré-escolar é um período de alta incidência de quedas. A avaliação de um TCE pediátrico deve seguir protocolos como os critérios de PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network), que ajudam a estratificar o risco. No caso apresentado, a criança tem Glasgow 15, um único episódio de vômito (que pode ser reflexo da dor ou ansiedade e não necessariamente de hipertensão intracraniana), e um exame neurológico completamente normal. A ausência de perda de consciência prolongada, sinais focais ou outros fatores de risco importantes sugere um TCE de baixo risco. A conduta para TCE leve de baixo risco em crianças, como no caso descrito, é a observação clínica e alta com orientações claras aos pais. Analgésicos podem ser prescritos para o alívio da dor local. A tomografia computadorizada de crânio não é rotineiramente indicada nesses casos devido ao risco de radiação e à baixa probabilidade de encontrar lesões clinicamente significativas. O acompanhamento domiciliar com observação atenta dos pais é a medida mais apropriada.
Sinais de alerta incluem alteração do nível de consciência, vômitos múltiplos ou persistentes, cefaleia progressiva, convulsões, sinais neurológicos focais, fontanela abaulada em lactentes e suspeita de fratura de crânio.
A TC de crânio é indicada em TCE leve pediátrico apenas na presença de critérios de alto risco, como alteração do estado mental, sinais de fratura de base de crânio, sinais neurológicos focais ou múltiplos vômitos persistentes, conforme os critérios de PECARN.
Os pais devem ser orientados a observar a criança por 24-48 horas para sinais de alerta como sonolência excessiva, vômitos repetidos, dor de cabeça intensa, convulsões, alterações na fala ou marcha, e retornar à emergência se qualquer um desses sinais surgir.
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