INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Homem de 45 anos foi encontrado inconsciente por familiares junto a uma escada de sua casa. Familiares o conduziram em carro próprio, sem medidas-padrão de atendimento pré-hospitalar. Não sabem por quanto tempo ficou desacordado e nem sobre o histórico de saúde. Quando deu entrada no pronto-socorro, encontrava-se inconsciente, com equimose e escoriações na região orbital e palpebral direita, além de escoriações na região cervical posterior e em membros à direita. Não apresentava resposta ao comando verbal, mas respirava espontaneamente com frequência normal. Pressão arterial de 140 x 90 mmHg e pupilas isocóricas. Durante a avaliação, abriu os olhos e começou a se mexer, ainda sem responder a questões ou comandos. Após 30 minutos, começou a responder, mas informava não se lembrar de ter caído da escada.
TCE leve com amnésia pós-traumática e sinais de trauma → TC crânio, face, coluna cervical + RX membros + observação hospitalar.
Pacientes com trauma cranioencefálico, mesmo com melhora do nível de consciência, mas com amnésia pós-traumática ou sinais de trauma em outras regiões (face, coluna cervical, membros), necessitam de investigação completa por imagem para descartar lesões ocultas e observação hospitalar para monitorar deterioração neurológica.
O Trauma Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo, sendo a queda de altura uma etiologia comum, especialmente em idosos e em ambientes domésticos. A avaliação inicial de um paciente com TCE é crucial para identificar lesões com risco de vida e determinar a necessidade de intervenções urgentes. A apresentação clínica pode variar desde um TCE leve, com breve perda de consciência ou amnésia, até um TCE grave com coma profundo. A fisiopatologia do TCE envolve lesões primárias (diretas, no momento do impacto) e secundárias (isquemia, edema, inflamação, que se desenvolvem horas a dias após o trauma). A amnésia pós-traumática, mesmo na ausência de déficits neurológicos focais evidentes, é um sinal de alerta que indica uma disfunção cerebral e eleva o risco de lesões intracranianas. A suspeita de trauma em outras regiões, como face e coluna cervical, é fundamental, especialmente em quedas, e exige investigação por imagem. A conduta em TCE leve com fatores de risco (como amnésia, sinais de trauma facial/cervical, ou uso de anticoagulantes) inclui a realização de tomografia de crânio e, se houver suspeita, de face e coluna cervical. A radiografia de membros é indicada para avaliar escoriações e deformidades. A observação hospitalar por 12 a 24 horas é essencial para monitorar a evolução neurológica e detectar complicações tardias, garantindo a segurança do paciente antes da alta.
Critérios como a Canadian CT Head Rule ou New Orleans Criteria indicam TC em TCE leve se houver Glasgow <15 duas horas após o trauma, suspeita de fratura de crânio, sinais de fratura de base de crânio, vômitos, idade >60 anos, convulsão pós-traumática, uso de anticoagulantes/antiagregantes ou amnésia retrógrada/anterógrada.
A amnésia pós-traumática, mesmo em pacientes com Glasgow 15, indica uma disfunção cerebral transitória ou lesão mais significativa, aumentando o risco de lesões intracranianas e a necessidade de investigação por imagem e observação.
A observação hospitalar permite monitorar a evolução neurológica do paciente, identificar sinais de deterioração tardia (como hematomas epidurais ou subdurais que podem se expandir) e garantir a segurança antes da alta.
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