TCE Leve em Adolescentes: Quando Indicar Tomografia de Crânio

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Adolescente de 14 anos é trazido ao pronto atendimento pelo professor da escola. A história é de que, durante jogo de futebol, o paciente bateu cabeça com a cabeça de outro adolescente, seguida de perda da consciência, a qual recobrou em segundos. Nega ter apresentado convulsão ou vômitos e refere apenas náuseas e cefaleia. Foi administrada dipirona (40 gotas) na escola, sem melhora. Ao exame: ECG=15, sem crepitações, com edema da região parietal esquerda, sem equimoses, sem outras alterações. A conduta adequada é:

Alternativas

  1. A) solicitar radiografia de crânio e cervical.
  2. B) prescrever tramadol e observar por 2 a 8 horas.
  3. C) solicitar tomografia de crânio sem contraste.
  4. D) prescrever ondansetrona, cetoprofeno, e dar alta com orientações.
  5. E) prescrever analgesia e observar por até 8 horas.

Pérola Clínica

TCE leve com perda de consciência ou sintomas persistentes → TC de crânio para excluir lesão intracraniana.

Resumo-Chave

Mesmo em TCE leve (ECG 15), a presença de perda de consciência (mesmo que breve) e sintomas persistentes como cefaleia e náuseas são sinais de alerta que justificam a realização de tomografia de crânio para descartar lesões intracranianas, especialmente em crianças e adolescentes.

Contexto Educacional

O Trauma Cranioencefálico (TCE) leve é uma condição comum na emergência, especialmente em adolescentes e crianças, frequentemente associado a atividades esportivas. Embora a maioria dos casos tenha um prognóstico favorável, é crucial identificar aqueles com risco de lesões intracranianas. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) de 15, como no caso apresentado, indica um TCE leve, mas a presença de fatores de risco como perda de consciência, amnésia pós-traumática, vômitos persistentes, cefaleia progressiva ou sinais de fratura de crânio exige uma investigação mais aprofundada. A tomografia de crânio sem contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar o parênquima cerebral e descartar lesões como hematomas epidurais, subdurais, contusões ou hemorragias subaracnoideas. Critérios como os de PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) ou Canadian CT Head Rule auxiliam na decisão de solicitar a TC, visando evitar irradiação desnecessária, mas garantindo a segurança do paciente. No caso de um adolescente com perda de consciência e sintomas persistentes, a TC é fortemente recomendada. O manejo inicial do TCE leve inclui avaliação neurológica seriada, controle da dor e náuseas, e orientações claras para a família sobre sinais de alerta para retorno ao pronto-socorro. A observação clínica é fundamental, mas não substitui a imagem quando há fatores de risco. A alta hospitalar deve ser acompanhada de orientações detalhadas sobre repouso físico e cognitivo, e a importância do acompanhamento médico para monitorar a recuperação e identificar a síndrome pós-concussional.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta em um TCE leve que indicam a necessidade de TC de crânio?

Sinais de alerta incluem perda de consciência (mesmo que breve), amnésia pós-traumática, vômitos repetidos, cefaleia progressiva ou persistente, convulsões, sinais de fratura de base de crânio e alteração do estado mental.

Por que a radiografia de crânio não é útil no manejo do TCE?

A radiografia de crânio não é útil porque não permite a visualização do parênquima cerebral, sendo incapaz de identificar lesões intracranianas como hematomas ou contusões, que são as principais preocupações no TCE.

Qual a diferença entre TCE leve e concussão cerebral?

Concussão cerebral é uma forma de TCE leve, caracterizada por uma alteração transitória da função cerebral induzida por força biomecânica. Nem todo TCE leve é uma concussão, mas toda concussão é um TCE leve.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo