IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Menino, de 2 meses e 10 dias, é levado pela mãe ao pronto socorro após ter apresentado queda de um metro de altura há 15 minutos. A mãe nega perda da consciência, convulsões e vômitos. Ao exame físico, o lactente está sem escoriações, hematomas ou fraturas palpáveis, apresentando abertura ocular espontânea, choro irritado e inconsolável, movimentação espontânea simétrica dos quatro membros, sem déficits focais, pupilas isocóricas fotorreagentes, sem sinais de irritação meníngea. Qual é a conduta indicada para este paciente?
Lactente < 3 meses com TCE, mesmo leve e sem déficits focais, requer TC de crânio e observação hospitalar.
Lactentes jovens (< 3 meses) com trauma cranioencefálico, mesmo sem sinais neurológicos focais graves, têm maior risco de lesão intracraniana oculta devido à fragilidade do crânio e maior proporção cabeça/corpo. A irritabilidade persistente é um sinal de alarme importante nessa faixa etária, justificando a tomografia de crânio e observação.
O Trauma Cranioencefálico (TCE) em lactentes é uma condição comum e preocupante na emergência pediátrica. A imaturidade do crânio e do cérebro, juntamente com a dificuldade de comunicação da criança, tornam a avaliação e o manejo desafiadores. A epidemiologia mostra que quedas são a principal causa de TCE nessa faixa etária, e a detecção precoce de lesões intracranianas é crucial para prevenir sequelas neurológicas. A fisiopatologia do TCE em lactentes difere da de adultos, com maior risco de lesões por aceleração-desaceleração e menor capacidade de compensação de aumentos da pressão intracraniana. O diagnóstico baseia-se na história do trauma, exame físico detalhado e, frequentemente, neuroimagem. Critérios como PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) auxiliam na decisão de solicitar tomografia de crânio, mas em lactentes jovens (< 3 meses), a suspeita deve ser maior, e a irritabilidade persistente é um sinal de alarme importante que justifica a investigação. A conduta inicial envolve estabilização do paciente e avaliação da necessidade de neuroimagem. Em casos como o descrito, a tomografia de crânio é indicada para descartar lesões intracranianas ocultas, seguida de observação hospitalar rigorosa para monitorar a evolução clínica. O prognóstico depende da extensão da lesão e da rapidez do diagnóstico e tratamento, sendo fundamental a orientação dos pais sobre sinais de alarme para alta segura.
Sinais de alarme incluem irritabilidade persistente, choro inconsolável, vômitos repetitivos, letargia, convulsões, abaulamento de fontanela e assimetria pupilar. Qualquer alteração no padrão de comportamento ou nível de consciência deve ser valorizada.
Lactentes, especialmente < 3 meses, têm maior risco de lesões intracranianas significativas mesmo após traumas leves, devido à fragilidade óssea, maior volume cerebral em relação ao crânio e dificuldade em expressar sintomas. A TC ajuda a descartar lesões ocultas que podem ter consequências graves.
A diferenciação é complexa. Um TCE grave geralmente envolve alteração da consciência (Glasgow < 14), sinais neurológicos focais ou fratura de crânio. No entanto, em lactentes, mesmo um TCE aparentemente leve pode ter lesões graves, exigindo alta suspeição e investigação, especialmente se houver irritabilidade persistente ou outros sinais de alarme.
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