Queda em Idosos: Conduta Imediata e Risco de TCE

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Assinale a melhor conduta imediata para uma paciente de 72 anos, hipertensa e diabética, submetida a angioplastia coronária com stent há 1 mês, que foi admitida no Pronto Socorro após queda da própria altura, com Escala de Coma de Glasgow de 14, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem déficits motores ou sensitivos.

Alternativas

  1. A) Internação em UTI, avaliação neurocirúrgica e observação clínica.
  2. B) RX de crânio e de coluna cervical.
  3. C) Tomografia computadorizada de crânio e de coluna cervical.
  4. D) Alta com orientações de sinais de alarme e retorno ao Pronto Socorro se necessário.

Pérola Clínica

Idoso com queda, Glasgow < 15, ou em antiagregação/anticoagulação → TC crânio/coluna cervical, mesmo sem déficits focais.

Resumo-Chave

Pacientes idosos, especialmente aqueles em uso de antiagregantes ou anticoagulantes (como após angioplastia com stent), têm alto risco de hemorragia intracraniana após trauma, mesmo leve. Um Glasgow de 14 não é normal e exige investigação por Tomografia Computadorizada de crânio e coluna cervical para excluir lesões graves.

Contexto Educacional

O trauma em pacientes idosos representa um desafio significativo na prática médica, devido à sua fisiologia alterada e à presença de múltiplas comorbidades. Quedas são a principal causa de lesões traumáticas nessa população, e mesmo traumas de baixa energia podem resultar em lesões graves, como hemorragias intracranianas e fraturas. A avaliação inicial deve ser abrangente, considerando a fragilidade inerente e os fatores de risco. Pacientes idosos em uso de antiagregantes plaquetários (como clopidogrel ou AAS, comum após angioplastia com stent) ou anticoagulantes (varfarina, NOACs) têm um risco substancialmente aumentado de hemorragias intracranianas após qualquer trauma, mesmo que o impacto pareça mínimo. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é uma ferramenta vital, mas um GCS de 14, embora próximo do normal, indica uma alteração e não deve ser ignorado em um paciente de risco. A Tomografia Computadorizada (TC) de crânio é o exame de imagem de escolha para descartar lesões intracranianas agudas, e a TC de coluna cervical é igualmente importante devido ao risco de fraturas vertebrais. A conduta imediata deve priorizar a estabilização do paciente e a investigação rápida das lesões. A internação para observação é frequentemente necessária, mesmo na ausência de déficits focais, devido ao risco de deterioração neurológica tardia. A avaliação neurocirúrgica é indicada em caso de lesões intracranianas significativas. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multidisciplinar, visando não apenas o tratamento das lesões agudas, mas também a prevenção de futuras quedas e a otimização das comorbidades.

Perguntas Frequentes

Por que a Tomografia Computadorizada é essencial em idosos após queda, mesmo com Glasgow 14?

Idosos têm maior fragilidade vascular e atrofia cerebral, o que aumenta o risco de hemorragias intracranianas (subdurais, epidurais) mesmo após traumas leves. O uso de antiagregantes ou anticoagulantes eleva ainda mais esse risco. Um GCS de 14 indica alteração do nível de consciência e justifica a TC para descartar lesões ocultas.

Quais fatores de risco aumentam a chance de lesão grave após queda em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, comorbidades como hipertensão e diabetes, história de AVC ou demência, e qualquer alteração no nível de consciência ou queixa neurológica após a queda.

Qual a importância da avaliação da coluna cervical em quedas de idosos?

A avaliação da coluna cervical é crucial em idosos após quedas devido à maior prevalência de osteopenia/osteoporose e espondilose, que os tornam mais suscetíveis a fraturas vertebrais, mesmo com traumas de baixa energia. A TC de coluna cervical é mais sensível que o RX para detectar essas lesões.

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