TCE Grave e Choque no Trauma: Diagnóstico e Conduta Inicial

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 21 anos, vítima de acidente com motocicleta, dirigia sem capacete. Exame físico: múltiplas escoriações e lacerações em crânio, face e tórax, abertura ocular ausente, emissão de sons incompreensíveis e flexão dos membros superiores ao estímulo de dor, murmúrio vesicular abolido em hemitórax direito, pulso fino, FC 130 bpm, PA 70/40 mmHg. As hipóteses diagnósticas e a conduta inicial são:

Alternativas

  1. A) choque hemorrágico, hemotórax e/ou pneumotórax, trauma cranioencefálico grave; garantir via aérea definitiva.
  2. B) choque hemorrágico, hemotórax e/ou pneumotórax, trauma cranioencefálico moderado; drenagem torácica à direita.
  3. C) choque neurogênico, atelectasia do pulmão direito, trauma cranioencefálico grave; garantir via aérea definitiva.
  4. D) choque neurogênico, atelectasia do pulmão direito, trauma cranioencefálico moderado; drenagem torácica à direita.

Pérola Clínica

TCE grave (GCS ≤ 8) + choque hipovolêmico + MV abolido → Via aérea definitiva + manejo do choque e trauma torácico.

Resumo-Chave

Um paciente vítima de trauma com GCS ≤ 8 (E1V2M3 = 6) tem indicação de via aérea definitiva para proteção e ventilação. A hipotensão (PA 70/40 mmHg) e taquicardia (FC 130 bpm) com pulso fino, associadas a múltiplas lacerações, sugerem choque hemorrágico. O murmúrio vesicular abolido em hemitórax direito aponta para hemotórax ou pneumotórax, condições que requerem intervenção imediata após a estabilização da via aérea e respiração.

Contexto Educacional

O manejo inicial do paciente politraumatizado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), priorizando a avaliação e intervenção na sequência ABCDE. Neste caso, a vítima de acidente motociclístico sem capacete apresenta um quadro complexo que exige rápida identificação e tratamento de lesões com risco de vida. A presença de um GCS de 6 (E1V2M3) classifica o Trauma Cranioencefálico (TCE) como grave, indicando a necessidade imediata de proteção da via aérea para prevenir aspiração e garantir oxigenação e ventilação adequadas. Os sinais vitais de hipotensão (PA 70/40 mmHg) e taquicardia (FC 130 bpm) com pulso fino são clássicos de choque hipovolêmico, que no contexto de trauma é presumido como hemorrágico até prova em contrário. A perda de sangue pode ser interna (tórax, abdome, pelve, ossos longos) ou externa. O murmúrio vesicular abolido em hemitórax direito é um achado crítico que aponta para lesões torácicas graves, como hemotórax ou pneumotórax, que podem comprometer a ventilação e a hemodinâmica. A conduta inicial para este paciente deve focar na estabilização rápida. Após a garantia da via aérea definitiva (intubação orotraqueal), a atenção se volta para a respiração (B), com descompressão torácica se houver suspeita de pneumotórax hipertensivo ou drenagem torácica para hemotórax. Simultaneamente, a circulação (C) deve ser abordada com reposição volêmica agressiva com cristaloides e controle de sangramentos. A avaliação neurológica (D) e a exposição (E) seguem, mas as prioridades iniciais são as ameaças à vida identificadas no ABC.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação de via aérea definitiva em um paciente traumatizado?

A via aérea definitiva é indicada em pacientes traumatizados com Escala de Coma de Glasgow (GCS) igual ou inferior a 8, pois há risco elevado de aspiração e incapacidade de manter a via aérea pérvia. Também é indicada em casos de trauma de face grave, lesão inalatória ou insuficiência respiratória progressiva.

Como diferenciar choque hemorrágico de choque neurogênico no trauma?

O choque hemorrágico é caracterizado por taquicardia e hipotensão, enquanto o choque neurogênico, embora também cause hipotensão, tipicamente apresenta bradicardia devido à perda do tônus simpático. A presença de pulso fino e taquicardia no caso indica choque hemorrágico.

Quais são as hipóteses diagnósticas para murmúrio vesicular abolido após trauma torácico?

Murmúrio vesicular abolido em um hemitórax após trauma torácico sugere principalmente pneumotórax (simples ou hipertensivo) ou hemotórax. A diferenciação é feita por exame físico adicional (percussão) e exames de imagem, como radiografia de tórax ou ultrassom (FAST).

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