Trauma Cranioencefálico Grave: Conduta Inicial no Pronto-Socorro

HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente vítima de acidente automobilístico (ejetado do veículo) chega no pronto-socorro com escala de Glasgow de 6. Há relato de ingestão alcoólica abusiva. A conduta inicial correta na chegada ao hospital é:

Alternativas

  1. A) Entrar pela sala de emergência, colocar em máscara de O2 não-reinalante e iniciar administração fenitoína intravenosa. Após estabilização, realizar tomografia o mais precoce possível.
  2. B) Entrar direto para a tomografia para esclarecimento da lesão cerebral que causa o rebaixamento de consciência.
  3. C) Se o paciente estiver saturando acima de 92%, fornecer O2 suplementar com cateter nasal e solicitar exame toxicológico para afastar intoxicação exógena.
  4. D) Se o paciente estiver saturando acima de 92%, fornecer O2 suplementar com cateter nasal e administrar tiamina intravenosa pelo risco de Síndrome de Wernicke-Korsakoff.
  5. E) Entrar pela sala de emergência e proceder imediatamente a intubação do paciente e estabilização para realizar tomografia o mais precoce possível.

Pérola Clínica

TCE grave (Glasgow ≤ 8) → Intubação imediata para proteção de via aérea e ventilação.

Resumo-Chave

Pacientes vítimas de trauma com rebaixamento de nível de consciência grave (Glasgow ≤ 8) necessitam de intubação orotraqueal imediata para proteção da via aérea, otimização da oxigenação e ventilação, e controle da pressão intracraniana, antes de qualquer exame de imagem.

Contexto Educacional

O Trauma Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo, especialmente em adultos jovens. A avaliação inicial e o manejo rápido e eficaz são cruciais para otimizar o prognóstico. Pacientes com TCE grave, definidos por uma Escala de Coma de Glasgow (ECG) ≤ 8, representam um desafio emergencial. A conduta inicial em pacientes traumatizados segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a avaliação e manejo da via aérea (A), respiração (B) e circulação (C). Em um paciente com ECG de 6, a proteção da via aérea é a prioridade absoluta. Isso significa intubação orotraqueal imediata para garantir oxigenação e ventilação adequadas, prevenir aspiração e controlar a pressão intracraniana. Somente após a estabilização da via aérea, respiração e circulação, o paciente deve ser encaminhado para exames de imagem, como a tomografia de crânio, que é essencial para identificar lesões cerebrais e guiar o tratamento específico. A administração de oxigênio suplementar sem proteção da via aérea em um paciente com Glasgow 6 é insuficiente e perigosa, e a fenitoína é para controle de crises, não conduta inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da Escala de Coma de Glasgow no trauma?

A Escala de Coma de Glasgow avalia o nível de consciência do paciente e é crucial para classificar a gravidade do TCE (leve >13, moderado 9-12, grave ≤8), guiando as condutas iniciais, como a necessidade de intubação.

Por que a intubação é a primeira conduta em TCE grave com Glasgow 6?

Um Glasgow ≤ 8 indica falha na proteção da via aérea. A intubação garante a permeabilidade da via aérea, previne aspiração, otimiza oxigenação e ventilação, e ajuda a controlar a pressão intracraniana, sendo prioritária no ATLS.

Quando a tomografia de crânio deve ser realizada em pacientes com TCE grave?

A tomografia de crânio deve ser realizada o mais precocemente possível APÓS a estabilização da via aérea, ventilação e circulação do paciente, para identificar lesões intracranianas e guiar o manejo neurocirúrgico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo