HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2020
Um bebê de 9 meses é levado ao pronto-socorro pelos pais, com quadro de irritabilidade há três semanas, sonolência e choro intenso intermitente no mesmo período e alguns vômitos ocasionais. Os pais não sabem dizer se houve algum fator desencadeante e negam quaisquer outros sintomas associados. Nesse quadro clínico, dentre as alterações abaixo, espera-se encontrar a seguinte:
Bebê com irritabilidade, sonolência, vômitos sem causa aparente → suspeitar de Trauma Cranioencefálico Abusivo (TCEa) → procurar hemorragias retinianas.
A apresentação clínica de irritabilidade, sonolência e vômitos em um lactente, sem uma história clara de trauma, deve levantar a suspeita de trauma cranioencefálico abusivo. As hemorragias retinianas são um achado altamente específico e sensível para essa condição, sendo crucial a avaliação do fundo de olho.
O Trauma Cranioencefálico Abusivo (TCEa), também conhecido como Síndrome do Bebê Sacudido, é uma forma grave de maus-tratos infantis e uma das principais causas de morbimortalidade em lactentes. Sua incidência é subestimada devido à dificuldade diagnóstica e à falta de história clara. É crucial para o médico estar atento a sinais inespecíficos que podem mascarar a condição, como irritabilidade, sonolência e vômitos, especialmente em bebês menores de um ano. A suspeita precoce e o diagnóstico correto podem salvar vidas e prevenir sequelas neurológicas graves. A fisiopatologia do TCEa envolve forças de aceleração-desaceleração e rotação que causam lesões cerebrais difusas, hemorragias subdurais e, caracteristicamente, hemorragias retinianas. O diagnóstico é clínico, baseado na história (muitas vezes inconsistente ou ausente), exame físico e achados de imagem. A avaliação do fundo de olho por um oftalmologista é mandatório, pois as hemorragias retinianas são um marcador altamente sensível e específico. Outros exames incluem tomografia computadorizada de crânio e ressonância magnética para identificar lesões cerebrais. O tratamento é de suporte, visando estabilizar o paciente e tratar as complicações neurológicas. O prognóstico é frequentemente reservado, com alta taxa de sequelas neurológicas permanentes. É fundamental que o profissional de saúde notifique os órgãos de proteção à criança ao suspeitar de maus-tratos, garantindo a segurança do paciente e de outros irmãos. A prevenção e a educação dos pais sobre os perigos do sacudimento são essenciais.
Os sinais de alerta incluem irritabilidade inexplicável, sonolência, vômitos, convulsões, aumento do perímetro cefálico e, classicamente, a tríade de hemorragia subdural, hemorragias retinianas e encefalopatia.
As hemorragias retinianas são um achado altamente sugestivo de Trauma Cranioencefálico Abusivo, especialmente quando múltiplas, em várias camadas e bilaterais. Elas resultam das forças de aceleração-desaceleração e rotação que ocorrem durante o sacudimento.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente, investigação completa com exames de imagem (TC de crânio, ressonância), avaliação oftalmológica (fundo de olho), exames laboratoriais e notificação às autoridades competentes para proteção da criança.
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