UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2015
Você está de plantão no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, referência em trauma na região metropolitana e recebe um paciente de 50 anos, masculino, vítima de acidente de moto (colisão com poste), sem capacete. O mesmo encontra-se com hálito etílico, emite sons incompreensíveis, abre os olhos ao estímulo doloroso e retira o membro à dor. O murmúrio vesicular é presente bilateralmente, FR = 10, PA = 180 x 100, FC = 60 e SAT = 90%. Sobre este caso é correto afirmar que:
TCE grave (Glasgow 9), hálito etílico, PA 180x100, FC 60, FR 10 → Risco de Tríade de Cushing por ↑ PIC.
O paciente apresenta sinais de trauma cranioencefálico (TCE) com um Glasgow de 9 (Sons incompreensíveis=3, Abertura ocular à dor=2, Retirada à dor=4). A presença de hipertensão (180x100) e bradicardia (60) em um paciente com TCE grave sugere um risco iminente de Tríade de Cushing, indicando aumento da pressão intracraniana.
O trauma cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente em jovens. A avaliação inicial de um paciente vítima de trauma é crucial e segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é uma ferramenta fundamental para avaliar o nível de consciência e a gravidade do TCE, classificando-o em leve (13-15), moderado (9-12) ou grave (3-8). No caso apresentado, o paciente tem um Glasgow de 9 (abertura ocular à dor = 2, sons incompreensíveis = 3, retirada à dor = 4), indicando um TCE moderado a grave. A presença de hálito etílico não deve atrasar a investigação de outras causas para a alteração do nível de consciência. Os sinais vitais são alarmantes: hipertensão (PA = 180 x 100), bradicardia (FC = 60) e bradipneia (FR = 10). Esta combinação de hipertensão, bradicardia e alteração do padrão respiratório é classicamente conhecida como Tríade de Cushing. A Tríade de Cushing é um sinal tardio e ominoso de aumento da pressão intracraniana (PIC) e indica que o cérebro está sofrendo compressão, com risco iminente de herniação cerebral. Portanto, a prioridade não é apenas avaliar a reação pupilar ou tratar a hipertensão isoladamente, mas sim reconhecer a gravidade do quadro e agir rapidamente para controlar a PIC. A tomografia de crânio é essencial e deve ser realizada sem contraste, a menos que haja suspeita de lesão vascular ou infecção. O tratamento da hipertensão deve ser cauteloso, visando manter a pressão de perfusão cerebral, e não uma redução agressiva que possa comprometer a perfusão. O reconhecimento da Tríade de Cushing é um ponto crítico para a conduta e prognóstico do paciente.
O paciente abre os olhos ao estímulo doloroso (2 pontos), emite sons incompreensíveis (3 pontos) e retira o membro à dor (4 pontos). Portanto, o Glasgow é 2+3+4 = 9.
A Tríade de Cushing é caracterizada por hipertensão arterial, bradicardia e irregularidade respiratória. É um sinal tardio de aumento da pressão intracraniana (PIC) e indica risco de herniação cerebral, sendo altamente relevante neste paciente com TCE grave e sinais vitais compatíveis.
A prioridade é a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABC do trauma), seguida pela avaliação neurológica rápida e medidas para controle da PIC, como elevação da cabeceira e, se indicado, manitol ou salina hipertônica, além da tomografia de crânio urgente.
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